sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A lenda dos sete mares III - o despertar do sentimento

nenhuma criatura maritima se comparava com o que estava por vir. as mais estranhas formas não se comparavam com aquela mortal. de inicio era igual a todas as outras da espécie humana, mas só de inicio. as outras possiveis mil linhas seriam para tentar retratar os detalhes do rosto dela, os outros milhares de adjetivos seriam para tentar descrever o jeito como ela falava e como andava e outras bilhões de formas de expressar o que se sentia ao olhar direto em seus olhos.

o capitão já tivera alguns relacionamentos. não foram muitos, nenhum durou mais que duas primaveras e as recordações não passaram por mais de 2 cais cada. ele sabia o que era sentir-se acompanhado, mas nunca descobriu o que era se sentir completo, não aquela sensação de habitát natural que era quando ele estava em alto-mar, aquela paixão insana pelo seu estilo de vida. ele não sabia o que eram sintomas como gagueira momentânea e frio na barriga, seu coração de pedra nunca o permitiu sentir isso, até agora...

era final de tarde, o sol estava se pondo do lado contrário ao horizonte que tocava o mar. já era outono e a essa hora o céu ficava meio laranja por trás das árvores de copas coloridas. eles desembarcaram em alguma cidade pequena com poucos habitantes. casas pequenas, ruas estreitas, temperaturas baixas. as especialidades que se encontravam ali eram a hospitalidade daquele povo e as tortas que eram feitas ali eram surpreendentemente deliciosas. mas surpresa mesmo foi para o capitão. não tinha andado mais quem 500 metros e finalmente o destino se encarregou logo de fazerem daquele cruzamento naquelas ruas apertadas palco desse grande encontro, tramado e esperado por entidades superiores do mundo antigo.

- desculpa - disse a inadjetivavel moça com a cabeça inclinada para cima tentando enxergar os olhos azuis do capitão que, por sua vez, apenas fez um gesto indecifrável com a cabeça. ele frustradamente tentou pronunciar algo e conseguiu apenas balbuciar algo que a fez desviar a atenção para os labios dele.
- o que o senhor disse?
- minha camisa - quando ela olhou mais para baixo, percebeu que havia deixado o café escorregar para fora do copo e sujar a camisa do capitão, e se desculpou mil vezes, até conseguir arrancar mais duas falas do capitão, um "tudo bem" após mil perdões e um outro "tudo bem" quando ela insistiu para levá-lo em casa enquanto ela limpava sua camisa.

houve uma grande diferença entre os dois "tudo bem". na entonação, na forma que as palavras foram cantadas, e da forma com que foram expostas. o primeiro pareceu que ele queria se livrar das palavras e no segundo ele ja estava falando e se arrependendo do que lhe saía à boca. duas sensações inéditas para o capitão, ele ficou tão confuso que, por causa disso, resolveu ir mais fundo...

domingo, 12 de dezembro de 2010

O que posso fazer?

faço agora do meu maior defeito, minha maior virtude, apenas por algumas linhas e alguns minutos. vou falando impulsivamente sem parar e isso é uma característica marcante em mim, não que eu me incomode nem que não me incomode, na maioria das vezes mal percebo que estou sendo inconveniente. quero falar agora, quero falar depois e se vc quiser falar, vai esperar eu acabar de falar. não estou fazendo isso para provar nada para alguém, não preciso disso.

desde criança sempre fui apegado a filmes de comédia românticas e romances em geral. percebi que em todo filme alguém fala alguma coisa que fica subentendida e sempre acabava que a circusntância mal-interpretada, acabava separando os protagonistas. acabei me influenciando, positiva e negativamente falando pelo que ocorria nas tramas das telas de cinema. acabei sendo o unico cara que conheço, se é que posso considerar essa estatística, que acredita DE VERDADE no casamento e no relacionamento monogâmico. enfim, acabei me tornando, pra mim, o oposto das situações que separavam o casal principal do filme. comecei a falar, se me fazia desentender, tentava me fazer entendido. aprendi a organizar ideias e usar a logica a meu favor. isso começou porque eu gostaria de ser assim, gostaria de parecer seguro. mas agora me dizem coisas que sinto que criei um monstro dentro de mim.

não vou culpar as produções hollywoodianas por meus defeitos. é tudo culpa minha mesmo. mas o que posso fazer? hoje sou viciado na fala. uns param para me ouvir, outros saem de perto quando eu começo a falar. uns adoram rebater as coisas que digo, outros preferem fingir que estou entendendo. mas o que posso fazer? a minha cabeça tem uma fórmula incalculavel que calcula a vazão dos meus pensamentos, que passam a toda hora para todos os lados e onde deveria ser o foco que minha mente usaria para lê-los, nenhum se aqueta ali, sempre ocorre um empurra empurra e ninguém consegue se entender aqui dentro.

existe também outra fórmula incalculável que calcula a profundidade das minhas ideias. as vezes parece que acabo, eu mesmo, deslocando-me por não conseguir que ninguém mergulhe tanto nos meus balões de comunicação como eu mesmo. as vezes parece que só eu me entendo. enquanto estou falando algo, as pessoas escutam atenciosamente e até franzem a testa, e quando vão comentar ou rebater, acabam se jogando em um precipício sem o paraquedas da lógica que eu estava amarrado, e aí desmorono junto com a carruagem; triste, incompreendido e sozinho.

por enquanto é só isso. nada mais auto-explicativo que essa postagem. diferentemente da maioria dos textos que posto aqui, esse aqui aconteceu e acontece de verdade, não é fictício. não estou escrevendo para ninguém e nem por alguém. se não quiser, não leia. acho que avisei um pouco tarde, mas e daí? o que posso fazer?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Eu não te pedi nada

eu não pedi para que você corresse enormes distâncias só para me ver feliz, nem me ligasse todos os dias para saber como eu estava. não pedi para perguntar se estou me alimentando bem e cuidando da minha própria saúde. nem que você insistisse em dizer para eu deixar essa minha falta de auto-estima para lá, nem que contasse piadas sem graça o dia inteiro só para me fazer parar de chorar e ainda inventasse mentiras bobas para fazer com que eu esquecesse meu medo. não pedi para que dormisse todas as noites do meu lado me fazendo um cafuné só para que pudesse pegar no sono, fingindo um jeito perfeito para que briga nenhuma existisse entre nós. nunca te pedi para dividir os meus problemas e que você tornasse-os insignificantes. não te pedi para que estivesse aqui nos dias mais difíceis, nem nos dias em que era frio e na televisão estava passando alguma comédia romântica.

eu sei que você faria tudo isso e muito mais por mim. mas eu não te pedi que fizesse coisa alguma. desde o início, nunca te cobrei nada, muito menos supliquei por ajuda ou perdão por besteiras que fiz com você. não te pedi para agir de uma forma tão extraordinária comigo, me fazendo parecer a pessoa mais sortuda desse mundo. não te pedi para ser tão boa pessoa e também não te pedi para me amar tanto assim.

eu não te pedi nada, mas mesmo assim você fez. eu nunca te pedi perdão, mas você sempre me perdoou. nunca te pedi carinho e mesmo assim você nunca negou. encontrei um abrigo, cheguei de mansinho e sem pedir, entrei na sua vida, mesmo assim você me aceitou e cuidou de mim. tudo isso sem nunca ter pedido nada em troca.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

É tudo questão de lógica

pensando eu ser humano e estar sob condições da minha própria natureza, então pela linha da lógica, sou simplesmente o que nasci sendo, desde que eu me entenda por homem. certo? a lógica é caminho incontestável para a condução dos fatos até chegar a uma conclusão. você quem escolhe os fatos e quem tira a conclusão, tudo isso ligando uma coisa com a outra, o que acaba se tornando óbvio, lógico.

pensando eu ser humano e sabendo de todas as diferentes vertentes que vão do pensamento até as ações da espécie, posso observar com clareza muitos que se usam da lógica para persoadir e convencer outros iguais a pensarem igual.

sou da espécie humana e conheço os outros semelhantes a mim. conheço e vejo também muitos que atiram fora a lógica e contrariam todos os pensamentos bons e consciências coletivas em prol de um bem-estar individual, que vai de coisas grandes como: políticos que assaltam, empresas que desmatam a floresta sem fazer o reflorestamento, pessoas que sonegam impostos, governantes que não olham pelas classes sociais desfavorecidas; até as coisas menores: como motoristas que não respeitam ciclistas, pessoas que não se respeitam no trânsito, indivíduos que poluem mangues.

a lógica existe. isso é inegável. mas ela não existe para ser manipulada nem manipuladora, ela existe para facilitar e não para complicar. pensar de uma forma ilógica e agir de uma forma estúpida é algo repugnante, mas existe também formas ilógicas de serem pensadas que não contrariam e nem afetam o bem-estar social. coisas como sentimentos saudáveis e recíprocos são bons exemplos da falta da lógica e da razão, mas que mesmo assim ainda faz bem a muitas pessoas.

existem várias formas de pensar. muitas outras possibilidades de agir. lógica ou ilogicamente seria interessante se todos os semelhantes se tratassem com o respeito que todos queriam ser tratados. acima de qualquer status de pensamento, somos iguais e merecemos ser iguais, ninguém é melhor do que ninguém. se todos fomos feitos iguais, viemos de concepções parecidas e temos o mesmo passado, não existe lógica que contrarie a igualdade entre nós. por isso derrubo toda e qualquer forma de 'supremacia da raça branca' proposta por nazistas ou até formas de preconceito como o apartheid.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Vamos bater um papo

estamos conversando e sua opinião é diferente da minha. o que faremos agora? você me olha desconfiado, eu te olho meio de lado. você aí, eu aqui. suas palavras soam como desafios, suas perguntas vem afiadas. minhas palavras são retranqueiras, minhas respostas são rápidas e menos ofensivas. a discussão continua. não estou com raiva de você, nem você está com raiva de mim. é apenas uma conversa com duas verdades. uma pra mim e uma pra você. é como se eu visse uma parede verde e você viesse me dizer que a mesma parede que vejo tem a cor diferente da que reconheço, você diz ser azul. eu vejo verde e você vê azul, a mesma parede, a mesma cor e duas verdades.

várias hipóteses sobre as proporções e dimensões dessa nossa prosa. você pode ter sido criado e educado de uma forma diferente da minha, onde valores são os mesmos, mas o que pensamos dele são coisas diferentes. a cor verde na sua família é chamada de azul, ou na minha família o azul foi apelidado de verde, por pirraça ou por ignorância, seja lá o que tenha sido.

vai ver minha vó ou o seu avô eram dautônicos, e aí o gene recessivo manifestou-se e interferiu em nossos argumentos. conturbaram e causaram toda essa confusão. você bate o pé e eu finco bandeira sob aquele território. sei que não sou louco, apesar do pouco de lucidez que me resta, sei que ela ainda está presente, então não vou no final dizer que tudo bem, aquela porra daquela parede verde é azul mesmo. sei o que estou vendo.

e se estivermos nós dois errados e em qualquer canto do universo, a cor que está estampada na parede é simplesmente vermelha e não tem nada a ver com verde ou azul. estaríamos a beira da falência moral de nossa própria pré-potência e mesmo assim se depois de tudo víssemos que a parede não era da cor que estávamos vendo, íriamos dizer um 'que se foda', voltar a beber e esperar outro assunto intrigante...







PS: cores e paredes nunca foram meu forte, são apenas uma 'analogia'

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A lenda dos sete mares II - A Noite Sem Fim

era inverno. não era diferente dos outros invernos, nem especial. nada de bom acontecera em mais uma estação gelada em que o capitão e sua tripulação navegavam pelo desconhecido. orgulhoso e radiante, a figura mais importante naquele navio comandava com empenho e dedicação seus subordinados, que eram tratados como irmãos. todos os ventos estavam a seu favor, todo o universo parecia conspirar para que todas as suas aventuras sempre acabassem bem. estava muito frio, como todos os outros invernos. havia muita neblina por todos os lugares, e isso afastava um pouco os corsários e capitões rivais. então o inverno costumava ser uma época tranquila, costumava...

quase todos estavam dormindo à espera do sol que deveria nascer no horizonte perdido indicando a direção para a tripulação, mas o sol não havia saído, e nem o faria por uma semana. uma semana que durou anos. uma semana de plena escuridão.

nenhuma criatura nem nenhum pirata, o mais louco que fosse, ousaria desafiar aquela embarcação, mas aquela situação sim era diferente. Poseidon era muito egocêntrico e não estava gostando nada de perder o título de majestade no mar para um simples mortal, isso tudo o incomodava por décadas. "como assim? quem esse capitãozinho e esse naviozinho de madeira acham que são? eles acham que são melhores que um deus?"

o sol não ter aparecido não foi um aviso, foi o inicio do que estava por vir. tempestades, chuvas fortes, ondas gigantes. tamanha instabilidade que garantiria a morte e naufrágio de qualquer navegação no mundo, menos aquela. muitos prefeririam não ter vivido aquela semana, mas viveram e sobreviveram. o sol voltou a brilhar em um continente distante. eles finalmente acordaram daquela noite que perdurou por sete dias e festejaram a vida em terra firme. o capitão e sua tripulação realizaram mais um grande façanha e sobreviveram a ira de um deus enfurecido e frustrado. "ele deveria trocar aquele tridente antigo por um mais moderno." - zombava com a própria sorte o capitão.

na terra onde desembarcaram encontraram água potável, alimentos frescos e muitos admiradores. muitos jovens ouviam as histórias e enquanto todos diziam não passar de lendas, eles acreditavam com muita fé em tudo. por onde passavam eram recebidos com muita festa. muito vinho, muita música e muitas mulheres. todos os homens do capitão se divertiam, menos ele. sempre sério, muito prestativo, mas sempre com a face indiferente, com um meio sorriso que parecia ter sido escupido. suas mãos calejadas e seu coração gelado não estavam preparados para o que iam encontrar...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A lenda dos sete mares

os meses dele não tinham semanas, as semanas não tinham dias e nos dias, de nada valiam as horas. as únicas coisas que tinham importância para ele, eram as estrelas que serviam como bússola e o vento que decidia a velocidade da sua embarcação. ele era uma figura imponente, grande como um armário, pele queimada do sol, olhos grandes como dois diamantes azuis, cabelos e barba pretos como a noite e um ar de quem já percorrera os sete-mares, enfrentara mil criaturas marítimas e sobrevivera a cada um dos infinitos perigos encontrados mundo a fora. não tinha uma perna postiça de madeira, nem andava com um tapaolho, muito menos com um papagaio no ombro.

sua tripulação era composta por homens de várias partes do mundo, em cada porto que paravam, mais homens destemidos se juntavam a todos aqueles prisioneiros da própria liberdade. muitos tinham tudo e largavam o que tinham para viver a liberdade e a emoção que corria-lhes na veia. abandonavam tudo por amor ao mar e ao desconhecido. muitos daríam a vida por aquele capitão. ele e sua tripulação já eram um só e a casa deles era o mundo inteiro, no mar, quem mandava eram eles.

o rei dos mares, como ficou conhecido, era admirado e temido por todos os quatro cantos da terra. criaturas marítimas se escondiam no fundo do mar, corsários preferiam afundar os próprios navios e cidades faziam festas que duravam 7 noites por onde ele passava. tinha um sorriso de prata combinando com os anéis que cercavam-lhes os dedos. era um cara humilde, tinha o coração grande como os oceanos e duro como pedra. mas um dia tudo aquilo iria mudar, e mudou...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Ocular

vigiando com o canto do olho, eu estava atento. mesmo com todo aquele escuro fora do quarto e com a minha atenção comprometida, eu estava atento. nada escapava ao meu campo de visão. ao decorrer do tempo, madrugada a dentro, meu sono ia desaparecendo. o dia já estava clareado, os pequenos buracos na janela deixavam escapar os primeiros raios de sol que entravam pelo corredor e batiam na porta do meu quarto entreaberta, esquentando-o e anunciando que um outro dia tinha começado. esse era o meu relógio. todos os dias, tudo isso se repetia. todos dormiam, eu continuava acordado. escrevendo, cantando, compondo, sorrindo, respirando. a sensação de paz tomava conta de mim, ficava bem comigo mesmo sem precisar de influência nenhuma que ultrapassasse os limites do meu quarto.

eu queria continuar descrevendo coisas bonitas e interessantes que acontecem na madrugada, mas o que meus olhos gravavam todas as noites, eram essas outras coisas. queria eu poder dizer que tudo isso não passava de um engano, que enquanto eu pensava que estava acordado, estaria apenas sonhando. mas não. era verdade, dava pra sentir aquele calafrio.

vigiando com o canto do olho, eu estava atento. mesmo com todo aquele escuro fora do quarto e com a minha atenção comprometida, eu estava atento. nada escapava ao meu campo de visão. sempre ia tudo bem. não que eu esperasse acontecer, mas acontecia. não todos os dias, nem todas as horas, mas com frequência eu via. não tenho certeza das formas, mas te digo com precisão todo o gelo que cai sobre mim toda vez que vejo. a paralisia constante dos meus membros e as impossíveis e frustradas tentativas de pensar em algo rápido. vejo algo obscuro, dentro e fora de mim. passando pelos corredores, parado no canto da cozinha, passando por de trás de mim, aqui, ali, antes, agora. vejo o reflexo do que penso, e tenho medo da reflexão do que vejo. tenho medo do que vejo. medo das sombras, do escuro...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Polivalente

polivalente, sou tudo o que te faz bem. posso ser seu sorriso, posso ser sua mente. sou no amanhecer tudo o que você quiser. sou sua alma crescente na lua cheia de esperanças e que, com o coração na mão, espera atenciosamente a hora em que você abra a porta e apareça para mim, assim como o amanhecer, como o sol que ilumina a tudo e a todos.

vou me ajustando aos seus braços que comandam toda a água do oceano, vou me acomodando em sua mobília e me tornando indispensável. seu jeito presente torna ausente os problemas que estaciono lá fora antes de passar pela porta que nós decoramos todos os anos no natal. seu sorriso aquece o chocolate quente em cima do centro da sala de tevê. o sofá nos cabe perfeitamente, suas pernas que te trazem até aqui são as mesmas pernas que agora estão sob os meus cuidados, enquanto você tira um coxilo depois de tentar salvar todo o mundo acolhendo-o sob seu próprio zelo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Perto da loucura

abro os olhos e os volto para dentro de mim. a situação está tensa e o clima pesado. lembro-me com clareza de dois momentos, no primeiro estou prestes a explodir por dentro. cada uma das minhas células pareciam se contrair em cada um dos musculos que se agitavam em cada um dos membros, e as mensagens nervosas não partiam mais do meu cérebro. corria por minhas estranhas entranhas e nervos, comandos vindos de alguma área obscura. no segundo momento estou ofegante e confuso. estou gradativamente voltando a ser o que sou, estou tomando de volta o controle.

sabemos o que somos quando sabemos até onde podemos chegar e como chegaremos até lá. saber lidar com a situação, saber se controlar... tudo isso envolve o mesmo tema, tudo isso inclui sua forma de pensar, e é a forma bruta, não-lapidada. você não está sendo o que quer que os outros vejam que você é, você está extraindo de você mesmo aquilo que lá dentro você abriga ser. não que a situação é quem determina quem você é, mas como você age em cada uma delas sim.

a loucura e a insensatez são estudadas para o entendimento da mente humana quando ela nos prega peças. mas devemos entendê-la para nos conformarmos ou entendê-la para nos conhecermos e aprendermos a nos tornar o que queremos ser? perguntas que regem buscas e até um estilo de vida a ser levado. questões são importantes para guiar o que pensamos, são importantes para determinar o que queremos ser. eu sei as perguntas que quero achar as respostas. eu sei a vida que quero ter. e você? sabe o que quer?

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A pequena antítese

ele assassinou os restos do sentimento alojado em seu peito, impregnado como um mau cheiro que toma a casa que a porta está aberta. ele dera fim a toda aquela angústia e a todo aquele sofrimento. claro que o que envolvia aquele sentimento não eram só essas lembranças escuras, existiam muitas lembranças boas, mas ele tratou de apagá-las também. ele matou o amor que gritava em suas entranhas, que ditalava suas pupilas e que bombeava o seu próprio sangue. e não foi a falta de vida que lhe ocorreu depois de tanta carnificina, ele conseguiu sua vida de volta. conseguiu respirar sem depender de um outro coração colado ao seu. conseguiu caminhar sem tropeçar em algum tipo de pensamento conflitante típico de um relacionamento instável. ele renasceu.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Clichê ou não

depois que a situação havia passado, foi que me veio à cabeça o ocorrido. às vezes precisamos de um tempo para que nossa mente assimile coisas ditas há tempos atrás com coisas recém-ocorridas. mais do que ninguém, eu penso - e gosto - de pensar que coincidências não existem, que fatos isolados ou interligados ocorrem por acaso às vezes, mas que na grande maioria elas tem um motivo para acontecer. quando costumo expôr essa minha forma de pensar, muitos a taxam de clichê ou simplesmente não concordam. tudo bem. escrevo essa história hoje também para os que compartilham da mesma opinião que tenho, mas escrevo, mais ainda, para os que não concordam.

ontem eu estava em um determinado lugar esperando por alguém. em pé e do lado de fora, apoiado na parede e abaixo do sol do fim de tarde. tinha acabado de acordar e tomar um banho pós praia, estava muito bem comigo mesmo, talvez por isso não tenha reclamado em esperar um pouco a mais do que o planejado. tinham outras pessoas perto de mim, umas esperando também, outras passando... mas o que me chamou mesmo a atenção, foram as duas pessoas que estavam ali na rua mas não estavam nem esperando alguém, nem passando, apenas estavam ali e por ali mesmo iriam ficar.

pai e filha. ela estava esparramada em uma cadeira de plástico e ele fazendo malabarismo, cuidava da filha e dos carros em troco de algum reconhecimento em míseras moedas que não passavam sequer de um real.

antes de tudo isso acontecer, quando eu estava a caminho no carro de minha mãe, estava discutindo com ela sobre o meu futuro, sobre como tenho que chegar a uma vida estabilizada pra depois correr atrás do que eu quero, diferentemente de um médico. ela com a visão superprotetora de mãe e eu com as falas enroladas e com a habilidade de desviar das suas investidas. coisas como 'você é muito inteligente mas não sabe usar essa inteligência', 'você tem que correr atrás do que você quer' e 'acorda pra vida' estavam na pauta de falas dela. ainda conversamos muito mais sobre o meu futuro.

jogando-nos de volta àquela cena. eu estava pensativo sobre tudo o que minha mãe tivera me falado, quando, escuto uma voz bastante alta, alta o suficiente para perceber que não era a minha consciência. a filha daquele homem tinha acabado de torcer o pé, ele perdera um trabalho por causa disso e ainda teria que ficar a noite inteira com ela. muitos, no lugar dele, estariam revoltados com tudo isso e culpariam a todos, principalmente à Deus. mas não. as palavras que saíram da boca dele, falavam coisas simples sobre o futuro. sobre os esforços que fazia no presente e que teriam que surtir algum efeito no futuro da filha dele. que ela tinha que estudar e que tinha que correr atrás, que ela era inteligentíssima para uma menina de 5 anos mas que às vezes esquecia desse potencial. eu ouvi tudo atentamente e até cheguei a conversar com a menina. ela tinha olhos grandes e escuros. o cabelo tinha cachos enormes e bonitos que se a luz do sol batesse, revelaria um castanho claro e refinado. tinha a pele da cor da noite e um sorriso muito firme. constatei o que o pai dela tinha me dito, ela era sim inteligente, muito até.

incrível como dois fatos distintos e aparentemente isolados se encaixam em um contexto desfavorável para um 'clichê' tão grande quanto o meu. acredite ou não, muitas coisas na sua vida ainda vão acontecer, e muitas delas vão acontecer por um propósito. o que você tem a fazer é simplesmente se abrir para os acontecimentos, se jogar e tornar-se sensível para com o mundo ao seu redor. tudo isso aconteceu mesmo, só esqueci de perguntar o nome daquela garotinha inteligente...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Limite


até onde você iria? até onde você aguentaria chegar? se pensasse em chegar, pelo que ou por que você o faria? derramar lágrimas até não aguentar mais ou esticar o sorriso até não conseguir mais, desistir e abrir mão de algo para ver alguém feliz ou correr atrás, fazer o certo ou aprender com o errado. tudo começa com nossas escolhas, somos livres por direito de fazermos o que quisermos. nossas escolhas têm consequências, as vezes boas e as vezes ruins. as consequências nos fazem tomar outras escolhas, e quando nos vemos diante desse grande emaranhado de infinitas possibilidades é que nos damos conta de que a vida passou, que muita gente passou, que muitos amores ficaram pra trás e que você já não é o mesmo.

o caminho que quero percorrer durante essa simples exposição de ideias não é sobre o nosso livre-arbítrio, nem sobre como a vida nos permite acertar e errar. quero discorrer um pouco sobre as escolhas que fazemos em função da vida que elegemos. sobre abrir mão, sobre colocar as prioridades de alguém acima das suas próprias prioridades e necessidades.

ninguém pede para ser colocado acima de tudo, nós simplesmente a colocamos lá e fazemos de tudo para ser uma boa base, fazemos de tudo para que possamos sustentar com a força de mil elefantes a sensibilidade e a insegurança de quem queremos proteger. nós, seres humanos, temos a característica de zelar pelo que queremos bem, de cuidar bem dos nossos apegos e coisas preferidas.

é muito saudável e bonito da parte de alguém que não vê fronteiras para expressar através de ações o quanto poderia fazer e deixar de fazer várias coisas por alguém. mas quero lembrar que tudo tem um limite. se você chegou em um ponto que está cansado e que acha que não consegue seguir em frente, saiba que esse não é o seu. você vai conhecê-lo e talvez só perceba quando você já tiver o ultrapassado. então siga em frente e se esforce o máximo que puder. quando achar que não vai dar mais e que você já deu tudo de si, tente mais um pouco e mais e mais. insista e levante a cabeça, porque você pode e vai mudar tudo. não que as coisas dependam apenas de você, mas se você não correr atrás, ninguém irá por você.

e se todos pensassem assim? que o limite não nos impede, ele apenas nos orienta e nos faz seguir sempre em frente. se todos estimulassem o se atirar para frente, o correr atrás seja dos objetivos ou das pessoas de quem você gosta. tudo tem um limite, claro, mas não significa que você precise conhecê-lo. viva uma vida equilibrada e saudável, seja tudo para alguém e PERMITA que alguém seja tudo para você.




dedico ao meu grande e presente pai.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

vira, volta, late

sem muita denotação e arrodeio. direto e reto. as coisas não estavam indo muito bem e nada costumava dar certo. o pior mesmo era tudo ter virado uma rotina cansativa e exaustante. todos moramos no mesmo teto, temos o mesmo sangue mas somos diferentes um do outro, e mesmo assim estávamos acostumados com tudo. o respeito sempre prevaleceu sobre qualquer que fosse a relação. não somos a melhor família nem a mais unida, também não temos graves problemas e somos totalmente desunidos. somos uma família como qualquer outra, mas era a vida que tinha se transformado. acostumados com um padrão agradável estacionados no meio da grande e desigual pirâmide de classes brasileira.

quando a gente menos espera, mais acabamos nos surpreendendo. a gente toma uma rasteira e nem percebe o que nos atingiu. quando percebi já estava estirado no ringue, tentando olhar para o céu, clamando por ajuda divina. problemas de saúde vieram começaram a constar no orçamento familiar. o saldo passou a estar abaixo do necessário e as dívidas acumularam-se.

é díficil entender quando tudo acontece assim tão rapido. com a cabeça no lugar e com tranquilidade a gente consegue dar a volta por cima, mas é um caminho longo. aí entrou em prova tudo o que havia dentr de casa, como nossos laços afetivos por exemplo. todos estavam mais sensíveis e a ponto de estourar. a casa virou um barril de pólvora e qualquer faísca o explodiria.

eu fico me perguntando: como uma coisa tão pequena dessas conseguiria um resultado tão positivo em meio a toda essa maré de negatividade? mas sim, ela conseguiu trazer muita alegria. chegou desconfiada, olhando com o canto do olho. espreitando-se e meio tímida foi conseguindo a confiança de todos aos poucos. muitos aqui em casa não gostaram da ideia no inicio, mas agora parece que ela está aqui há tempos, parece que ela sempre esteve aqui e a gente que nunca percebeu.

é tão bom chegar e ser recebido tão bem assim, tão bom chegar a hora que for e receber de você só atenção. é engraçado, sempre imaginei o contrário, mas estou tão apegado, ela me encantou de uma forma. acho que eu abri as portas sem querer, e quando me toquei ela já estava bem acomodada lá dentro. melhor amiga e companheira, conquistou a todos e todos hoje a querem muito bem. ela enfim, devolveu toda a alegria que a casa precisava. é um novo ânimo, uma nova casa, um novo fôlego. obrigado.

domingo, 10 de outubro de 2010

O Amor Acabou



5 horas da manhã e a insônia é minha companheira. gravei essa musica que é de autoria minha e tô postando aqui. espero que curtam.

PS: a qualidade do aúdio tá ruim por causa que gravei em um mp4...

Boa noit... bom dia e segue a letra:

O Amor Acabou - Rafael Benevides

As suas fotos no meu quarto
o meu sorriso no retrato
denuciava que o nosso amor existiu
Eu vejo os seus recados
meio apagados
que ainda gritavam que o nosso romance faliu
Coração em pedaços
no peito dilacerado
vem me dizer que você não me esqueceu
Lembranças do passado
entram pela janela
vem me dizer que o seu grande amor sou eu

O amor acabou, terminou assim
a gente prometeu que não mas tudo tem um fim

Mas ainda lembro do seu rosto e sua fala
que o mundo era melhor no meu abraço
teu sorriso era tudo que bastava
e eu era justamente o que faltava pra você

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Você entenderia...

não são as coisas óbvias que mais chamam atenção nela. não são as coisas que qualquer um poderia ver. não são os olhos profundos, não são as palavras certas que ela usa, não é o jeito tão seguro, muito menos toda aquela beleza reunida. são as coisas simples. só vistas se você estiver perto, se você conseguir ouvir a canção que toca quando ela chega, se você estiver em sua rotina e estiver nas mãos dela. são pensamentos fortes que se você tivesse sorte, conseguiria ouvi-los. são bonitos segredos que se você descobrisse, se apaixonaria, não somente por ela, mas por tudo ao seu redor. desde que eu cai em todo esse encantamento, me sinto bem por saber de tudo sobre ela, e desde então eu me tornei alegre, me tornei mais forte.

a casa se enche de um tom sépia envelhecido e torna tudo nostálgico quando ela entra na sala-de-estar. tudo que ela toca vira música e tudo o que ela diz vira poesia. ela pisa em cima da monotonia e faz o mar agitar-se. suas lembranças na cabeça de qualquer um são capazes de nunca sairem. toda aquela beleza e toda aquela simpatia. você entenderia se visse os desenhos que fiz quando criança quando alguém pedia para eu desenhar o que via nos meus sonhos. você entenderia tudo o que digo, se acreditasse em destino e em coisas banais ao mesmo tempo, se você acreditasse em Deus e em coisas perfeitas. você entenderia que não é a lógica que sempre prevalece e sim a insensatez. estou louco e feliz. eufórico e tranquilo. ela tem ótimos sentimentos e ainda consegue mexer com os meus. hoje ela é tudo em mim e mesmo assim ela tem tudo que quer. seu rosto é tudo pra mim e eu me sinto feliz.

domingo, 3 de outubro de 2010

Inocente

na busca incessante em busca das razões da vida, em busca de respostas, não das corretas, mas sim das que nos convém acreditar e que nos conforta, estamos sempre passando por fases diferentes e sempre nos questionando. muitos acreditam que são o que são, essencialmente, o mesmo desde que nasceram - "esse é o meu jeito de ser". e eu nasci com medo. tive medo de várias coisas durante a infância, tive medo de outras menos irrelevantes na pré-adolescência e hoje tenho medo de coisas i(ni)magináveis. aí que está... eu preferia milhões de vezes ter medo de lagartixa e barata como eu tinha aos 5 anos de idade do que ter medo do escuro que tenho hoje. não do apagar das luzes ou da escuridão da noite, tenho medo quando sou eu que estou no escuro, tenho medo quando é em mim que tudo se apaga, e aí já não sou mais eu. tenho medo de mim mesmo, tenho medo dos pensamentos que tento controlar na minha cabeça e da minha cabeça quando não consegue mais controlar os pensamentos.

sempre estou questionando e escrevendo sobre o que somos e a relação com o caráter, crenças e o 'fazer', tomar decisões na vida. se um dia alguém tomasse as rédeas por você? você não precisasse mais trabalhar ou se divertir, escolher o que comer ou o que vestir, escolhas dificeis já não seriam mais problemas, na hora do aperto alguém agiria por você. e aí quem você seria? apenas um corpo vazio passível de manipulação. será que você já é esse alguém? será que seus estímulos nervosos partem do seu próprio cérebro ou parte da interferência externa?

estou sempre tentando ser eu mesmo. sempre tentando deixar de lado as coisas que devem ser feitas aos olhos dos outros, e sempre tentando fazer aquilo que eu tenho vontade. impulsiva e inconsequentemente as coisas tomam tamanhas proporções e eu sou culpado por tudo que faço, mas é isso que me faz ser quem eu sou, que me faz ser quem eu quero ser, não é o sentimento que tenho, não é assim que me sinto quando vou dormir. a unica coisa que penso ao me deitar é de sensação cumprida por mais um dia. se tenho medo de mim mesmo é porque me conheço, e mesmo assim me orgulho de ser tudo o que sou, e aí me sinto inocente de tudo.

sábado, 2 de outubro de 2010

Reféns

ele pode escolher que roupa usar para sair, pode escolher para onde ir e até mesmo se ir ou não. ele tem o lívre arbítrio, independente de religião e política, ele faz o que quiser fazer. se nós somos o que fazemos, e fazemos o que acreditamos, somos o que acreditamos também? e conseguimos controlar o que a nossa mente controla?

a mente humana. a parte não-física do nosso cérebro, uns até a chamam de alma. sinapses, reflexos, caráter, meio externo; o que podemos levar em consideração? nós temos total controle daquilo que chamamos de mente? somos o que queremos ser ou somos alguma consequência de uma rede de fatores? existem coisas nas quais não queremos pensar e mesmo assim pensamos. existem outras que queremos esquecer e não esquecemos. os medos existem e ninguém escolhe o que temer. ninguém escolhe de quem gostar (de verdade). o próprio exercício mental faria com que tivéssemos controle sobre a nossa mente ou faria com que apenas a conhecessemos?

ele queria realmente esquecer o que o atormentava, queria ter tudo bem resolvido em sua cabeça mas não conseguia expulsar da própria cabeça as várias incertezas e inseguranças, o que o tornava bastante vunerável a qualquer manifestação de sentimento e bastante instável. o aperto no coração apertava cada vez que lembrava de esquecer das coisas que já devia ter esquecido, coisas que ele esquecera de esquecer. as vezes ele mesmo tinha a impressão de que não era conveniente deixar todas aquelas lembranças para trás e simplesmente se acostumou com elas. até o dia que novas lembranças tomarem conta da prateleira que as antigas ocupavam, e quando ele menos perceber, vai mudar o jeito de pensar, vai começar a gostar de outras coisas e andar com outro tipo de pessoas, vai se vestir e falar diferente e vai acostumar-se a viver mudando. acomoda-se na própria mente.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Sobre o que (não) escrever

hoje não. não que eu não vá escrever nada, pois já comecei. mas sim, não vou escrever sobre política. não vou falar o que acho sobre políticos que mentem ou políticos que fazem de tudo para alcançar o poder e que o povo seja consequência. também não quero falar das pessoas que negociam votos. não estou - e nem quero - falando daquelas pessoas necessitadas. é revoltante ver tudo que os demagogos fazem e as pessoas esquecem. mas não estou aqui para escrever sobre isso.

não quero falar de preconceito. não quero falar de pessoas que rotulam as outras, muito menos das pessoas que perdem 'tempo e energia', como diria o grande Hélio Bentes, para falar mal dos outros. não estou aqui pra falar sobre isso.

não quero falar de lixo nas ruas, enxentes e queimadas. não quero falar dos efeitos que o aquecimento global vem mostrando; tsunamis e furacões. aonde isso vai chegar? até onde iremos? até onde irá o nosso 'não querer ver'? não quero falar do descaso das autoridades com os necessitados. não quero falar das grandes áreas verdes devastadas somente em território brasileiro. não quero falar sobre isso.

hoje eu só quero falar de coisa boa. quero exaltar o grande sol que aquece e transmite calor a todos. quero exaltar o grande calor humano, que passa cada vez mais despercebidos. seria interessante encontrar alguém que você nunca viu na rua e sorrir para ela, perguntar como ela está e simplesmente ser simples. nos menores gestos estão os maiores feitos.

hoje eu só quero transmitir a você que está lendo o quanto é bom estar bem com você mesmo. o quanto é bonito ser alguém que ouve, ligar para alguém e dizer o quanto ela é especial para você. quando vou sozinho à praia e entro no mar, eu esqueço de todos os problemas que deixo lá em terra-firme. e seria bom se todos pudessem fazer isso pelo menos uma vez por dia, um pouco de paz interior para propagá-la à quem está do seu lado, e assim estariamos todos a caminho de um bem-estar social, de uma unidade.

hoje eu apenas queria dizer: vamos valorizar os sentimentos bom! muito amor para todos!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Ciclo

explodiu. eclodiu dentro dele vários sentimentos e a própria abstração lhe veio a tona em forma de dúvidas e incertezas. quis sumir e fugir dali, mas ele já estava em lugar nenhum, ninguem o acharia ali. quis gritar mas não teve voz. sufocou-se e procurou ar, mesmo sem querer respirar. o coração acelerou mesmo quando ele queria parar. a música de fundo era tensa, composta por acordes menores que pintavam a cena com sentimentos de tristeza, melancolia e angústia. o clima era pesado, bem pesado, e quase não havia luz naquele quarto, se não fosse pela pequena brecha no telhado por onde os raios de sol passavam e encontravam justamente a sua testa.

noventa dias seguidos de pesadelos aterrorizantes deram em todo esse mal-estar. uma ferida foi aberta e ela não era incurável, ele que não queria cicatrizá-la. acostumou-se com a dor e com todos os inconvenientes que lhe causava. ele lembrava dela a cada instante e lembrava de muitas coisas que fizeram juntos antes de romperem o relacionamento. ele uma vez disse que não saberia viver sem ela, e agora estava ali, deitado, mergulhado em profunda desilusão, tendo que acostumar-se e reaprender a viver daquele jeito: sozinho.

revirava a caixa com todos os presentes que ganhara no namoro, repassava momento por momento e sempre arranjava uma desculpa para o amor ter parado de passar pela via contrária que dava diretamente em suas entranhas. procurava, desperada e frustradamente, achar soluções que tivessem efeito e que a fizesse voltar atrás. cantava as músicas e tentava terminar as poesias que fizera para ela, afim de ressucitar os traços do rosto de sua ex em seu pensamento, traços cada vez mais apagados de uma face cada vez menos requisitada em sua cabeça.

é o ciclo da vida amorosa. o amor da vida dele durou menos de dois anos, ele continua achando que não gostará de ninguém como gosta dela, mas isso vai passar. a dor vai parar, o choro vai cessar, ele não vai mais se sentir inconformado, não vai mais evitar filmes românticos nem deixar de ouvir as músicas que os dois gostavam, não vai sentir raiva ao vê-la com outro cara, e tudo vai passar, mas não pelo comodismo, pelo acostumar-se com aquela ferida aberta. vai passar porque é assim que as coisas acontecem, porque as coisas tem que acontecer.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A quantas anda a humanidade

começo hoje diferente da minha rotina de aspirante a escritor. sempre me vem a cabeça o desenrolar do texto, com o atropelamento das sucessivas ideias que vem sem parar, sobre um assunto que quero falar e depois penso num título que me deixe satisfeito, não um ótimo título, apenas um que chame a minha própria atenção, penso em um título e penso em seguida se alguém leria um texto assim.

coloquei no google e vi que existem mil artigos e crônicas com o mesmo nome, então antes que pensem que é uma tentativa frustrada de um plágio sem graça ou uma simples e inocente cagada da minha parte, quero que saibam que é exatamente sobre isso que quero - e vou - discorrer agora.

três, quatro, cinco anos atrás. não sei se o mundo costumava ser diferente ou se todos os problemas que nos cercam hoje existiam mas ninguém dava bola para eles. não foi simplesmente os problemas que se tornaram diferentes, que mudaram ou que se agravaram, mas nós mesmos mudamos. eu sei que mudar é uma necessidade, mas até onde isso é positivo? até onde é necessário mesmo? sinto profunda inveja de gerações anteriores a minha, mesmo tendo ou não passado por um cenário histórico-cultural conturbado, queria ter vivido outras épocas, e sinto isso não por desprezo à minha geração, não é por desprezo à atualidade, mas sim por questioná-la demais.

estamos vivendo uma época de extremos. estamos vivendo uma época de coisas intensas demais. coisas que aparecem, não são apenas novidades mais, são febres. o que é febre hoje, amanhã já não é mais, alguém é famoso hoje, amanhã já não é mais. eu vejo tantas pessoas fúteis e chatas fazendo sucesso por coisas fúteis e chatas, mas o pior é que elas tem a repercussão que tem porque tem pessoas fúteis e chatas que estão ali não para viver e gostar daquilo, mas para gostar para viver, pessoas que idolatram pessoas que não acrescentam nada a história da humanidade, e até pessoas que citam grandes personalidades sem saber metade do que elas fizeram de bom para o planeta.

está tudo errado. e começa das coisas simples como a música e vai num caminho que chega a política. não tenho nada contra cantor e banda x ou y, quando não gosto de certo tipo de música, eu simplesmente não fico ali para escutar, e quando gosto, faço questão de escutar, de ler um pouco sobre a história, mas fanatismo? viver por um ídolo que não está nem aí para você. vejo pessoas assistirem ao big brother que passa na televisão. eu, particularmente, assisto quando já está no final, quando acaba o programa, morreu, já era para mim, mas para o resto do país não, é assunto de horas e horas de conversa e milhares de pessoas que ligam para votar em um participante, ou que votam na própria internet, pessoas que estão sempre por dentro do que acontece lá no reality, votam - e não são obrigadas nem a votar e nem a assistir - e torcem, e quando chega a época de eleições, não querem nem saber que político faz isso ou aquilo de bom, mas sim votam por alguém conhecer, ou por simpatizar. não é a toa que tiveram que criar o ficha limpa, se o povo se importasse de verdade com isso, não era preciso que nenhuma ficha limpa existisse, porque ninguém iria esquecer as grandes cagas que pessoas como Collor, ACM e outros fizeram.

aquecimento global. muitas pessoas acham mesmo que isso é jogada de mídia para sei lá o quê. respeito muito a opinião dos outros, mas, na minha humilde opinião, o que isso tem a vê? caralho, você não percebe que o quente está muito mais quente, que o frio está muito mais frio, que o vento está cada vez mais forte, o mar sempre mais agitado e chuvas cada vez ou mais escassas ou mais castigantes. isso tudo não é ficção, está aí para quem quiser ver. casas na praia do saco aqui em sergipe, foram tomadas pelo mar, que por sua vez avança cada vez mais a cada dia. o que está acontecendo com o mundo? e pior, o que está acontecendo com todos? e nem vou falar de religião que seria outro assunto e não quero me estender - mais ainda. só não entendo o porquê de tanta descrença, se você não quer acreditar em Deus ou em qualquer uma que seja a entidade superior, problema seu, mas o que vem acontecendo não é a não-manifestação de religião e sim a manifestação contrária a ela.

claro que falo de uma forma geral e que eu não sou perfeito, e nem quero, muito menos tento ser. mas as coisas estão mesmo de cabeça para baixo. existe sim muita gente que ainda se importa com coisas que tem real importância, existem ainda pessoas que dão valor a coisas que tem real valor. ainda bem.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Espontaneidade

o que seria ser espontâneo? saber escrever espontaneidade sem necessitar consultar o dicionário ou acabar abrindo o jogo e dizer: "foda-se, eu não sei escrever mesmo"? acordar e saber tudo o que fazer ou acordar e fazer tudo sem saber? hoje eu venho em busca da total espontaneidade. escrevo letra por letra e os sentidos vão aparecendo, as frases tomam forma, o corpo do texto, a mensagem, as figuras de linguagem. as ideias vão saindo por uma ponte que vai da minha cabeça e fluem até a tela do computador, voltam pela retina dos meus grandes olhos e encaixam-se na razão que sempre faltou a toda essa sensação de insegurança que me toma por inteiro e me consome.

eu tenho vontade de dormir, mas isso não seria espontâneo. eu queria comer, assistir o jogo que vai passar na televisão mas isso é tão óbvio. a insensatez e o sentimento de exatidão me incomodam, as coisas que mais estão presentes me puxam para a estaca zero. sair por aí sem saber onde vou chegar, isso é tão clichê. coitado de mim. quero ser um cara diferente e espontâneo, e não consigo nem ter pensamentos imediatos, novos e que me tirem do próprio poço em que me afundo em ressaca e monotonia.

nada acontece. vendo daqui de cima, o mundo é até engraçado. todas essas controvérsias e contradições humandas já me tiraram muito do sério, mas hoje em dia eu não estou mais aí pra ninguém. achava que o simbolo da espontaneidade estava em falar as coisas que viessem na cabeça, mas nada é tão manjado quanto isso. então parei de criticar os outros, parei de tentar ajudar, deixei de não acreditar na política e passei a apenas ignorá-la com risadas auto-sustentáveis.

declarações de amor. coisas lindas pra se dizer para uma personalidade forte e idealizada em sonhos e filmes de comédia romântica regadas a muita pipoca e coca-cola. flores e chocolates para a amada. ensaiar coisas mil para dizer e na hora falar coisas que nunca haviam te esclarecido. espontâneo? não. um dia isso foi, mas hoje o próprio amor foi embalado em caixas de veludo e vendido em qualquer lojinha pequena por aí. o 'eu te amo' foi banalizado e usado de formas diferentes e erradas. é dificil ver o que fizeram com o sentimento encantador que ele foi um dia.

ser inconsequente ou irresponsável eu não sei, espontâneo ou não, também não sei. mas há de se concordar que nada é tão bonito quanto a dúvida que não nos falta em qualquer das situações.

domingo, 22 de agosto de 2010

História de Joãozinho revoltado três (final)

o que antes era sacrifício em minha vida, hoje era prazer. antes de minha abençoada e sábia mãe chegar no meu quarto, eu já estava de pé, pronto para encarar mais um dia difícil na escola. Estela me trouxe uma alegria ímpar. eu, ela e meus dois inseparáveis amigos, formamos uma bela amizade. era como se ela fosse um irmão. mas não para mim. desde o episódio em que a conheci acidentalmente (literalmente), eu sabia que o que sentia por ela era diferente da atração que eu sentia pela professora de português, era diferente do que eu sentia pela menina que morava na rua atrás da minha e era diferente de qualquer outra coisa.
os dias letivos passaram voando. já havia chegado as férias e isso me dava um medo, e se eu não a visse todos os dias como eu a vi no colégio?
primeiro dia de férias e lá estava eu na minha espetacular soneca pós sete horas da manhã. botei o despertador para tocar na hora da aula, acordei puto, mas voltei a dormir mais alegre do que na noite anterior, sabia que dali eu não sairia por nada, ou quase nada.
algumas risadas, janela aberta, estava claro, muito claro e um sorriso em particular. Estela e minha mãe estavam sentadas a beira da minha cama olhando para mim e rindo enquanto minha mãe contava da vez que eu cheguei em casa pálido correndo por causa que um poodle miserável, que tinha assustadores 60 centímetros de altura, estava correndo atrás de mim.
- Estela? o que você está fazendo aqui? - tentei, frustradamente, disfarçar um tom de entusiasmo.
- Vim te chamar para ir a praia, joãozinho. Você precisa pegar um bronze urgente. - ela e minha mãe riram novamente - cuidado para não encontrar outro cachorrozinho assustador. - e riram mais um pouco.
eu fiquei esperançoso. até demais. imaginei nós dois na praia, conversando sob o calor e o verão, à luz do pôr-do-sol. mas, pura ilusão. quando me dei conta, estávamos eu, o Pedro e o Romário conversando na areia enquanto Estela comprava uma água de côco. mesmo assim foi um dia muito produtivo. o Romarinho tomou uma queda do caralho enquanto corria para pegar a bola, foi meio esquisito e nem Galvão Bueno saberia narrar esse lance. o Pedrinho e eu conversamos muito sobre bandas que gostamos e a Estela, como sempre, implicando com todos de uma maneira sempre muito engraçada.
- Vamos dar um mergulho? - pedrinho já estava em pé e sem camisa.
prontamente, a grande cabeça do Romário levantou-se e foi em direção ao mar também.
- Seu rosto é até bonito contra o sol.
eu fiquei sem jeito e inventei logo uma maneira de disfarçar.
- Você nem o sol dá jeito. - eu falei e ela riu, só que riu diferente - estou brincando. você sabe que é linda de qualquer maneira, não é?
agora sim, aquele sorriso estava de volta, mas estava acompanho de buxexas vermelhas. ela ficou sem graça. estava sentada na areia, apoiou o corpo sobre os dois braços, colocando-os para trás e começou a olhar para o céu.
- Desde o primeiro dia eu te achei diferente dos outros garotos, João. - pedi para meus desejos pararem de falar essas coisas, mas reparei que não eram eles, e sim ela própria falando. e eu não estava forçando-a, e ela não estava sob tortura.
- Diferente como?
- Você entendeu. Eu gosto de você.
caralho! o que eu mais queria estava acontecendo e eu não sabia o que fazer. então ela fez. me deu um beijo. o beijo dela não se comparava a nenhum outro. eu não era mestre nessas coisas, mas já tinha experimentado beijos o suficiente para dizer que aquele sem dúvida era o melhor.
eu cheguei em casa, tomei banho e não consegui dormir.
as horas se passaram lentamente e quando o Sol saiu, eu não pude esperar e fui correndo até a casa dela. toquei a campainha mil vezes mas ninguém veio me atender.
liguei para o celular dela e tava dando fora de área. eu sou mesmo o cara mais azarado do mundo.
resolvi passar na casa do Pedrinho. quando cheguei lá, ele já estava saindo de bicicleta com destino a minha casa. ainda bem que cheguei a tempo.
- Você já soube, João?
- Soube do quê?
- A Estela chamou a gente pra ir a praia ontem para se despedir, ela ia se mudar hoje. Falou para a gente não comentar nada o dia inteiro, porque queria sentir que fosse um dia como outro qualquer.
o céu caiu sobre mim. não entendi o porquê dela ter feito isso. voltei para casa correndo. minha mãe estava no balanço da frente.
- Aquela sua amiga deixou uma carta para você ontem a noite quando você entrou. Tá em cima da mesa.

"eu gosto muito de você. ninguém me tratou tão bem como você me tratou. encontrei em você e nos meninos algo que eu sempre procurei em todas as minhas mudanças de endereço. já perdi muitas coisas e vou perder muitas outras, mas quero que você saiba que por onde eu vá, eu vou estar com você, e eu ainda voltarei para te ver.
eu estou indo embora, mas meu coração ficará com você!"

eu não lembro de outra vez na vida eu ter chorado tanto sem parar como chorei enquanto lia a carta dela. fiquei triste mas senti que tudo aquilo era muito sincero.
eu não sabia o que fazer de verdade, mas decidi esperá-la.
as férias passaram tão lentas, as estações transitaram até chegar o inverno.
as aulas voltaram a ser chatas e toda a monotonia voltou à minha vida.
- Ah não, mãe. não quero ir para a aula hoje não. porra! - falei na esperança que ela entendesse, mas ela não entendeu, como sempre.
voltei a mesma vida de antes, mas com a certeza que ela tinha validade.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

História de Joãozinho revoltado dois

vieram rolando em minha direção porque mal conseguiam ficar em pé de tanto que riam. o Romário estava roxo e o Pedrinho já estava sem ar. quando chegaram perto de mim percebi que tentaram disfarçar e prender a risada entre os cisos na boca:
- Você ta bem? - Pedrinho com a cara mais sínica do mundo.
os dois não suportavam mais aquela farça e mergulharam por mais 70 degraus abaixo rindo e rindo sem parar. sentamos nos banquinhos perto da cantina e com certeza o assunto não foi outro: aquela menina. de onde ela veio? por que será que entrou no meio do ano letivo? será que ela é filha de fugitivos? - Porra, romarinho, não viaja, caralho.
uma coisa era certa. na verdade duas. as pernas dela eram muito lindas (assim como todo o resto) e meu braço tava ralado, saindo até um pouco de sangue. motivo suficiente para eu gaziar, no mínimo, as duas aulas seguintes. é em uma situação como essa que aparecem as dores de cabeça do Romário e a dor de barriga do Pedrinho sempre frequentes e imaginárias, óbvio.
dribla o espetor-anão, passa por dois blocos e esquiva de alguns professores. pronto, chega-se à enfermaria. e como sempre está cheio de gente com as mais diversas desculpas. dor de cabeça, cólica, tonturas, ataques de asma, claustrofobia, mal estar, unha encravada - han?
ficamos do lado de fora, esparramados em três cadeiras. eu com um pequeno curativo melado com aquele remediozinho que arde pra caralho, a anta do Romário brincando com os próprios dedos e o Pedro ainda com a cara de espanto depois de ter visto a novata.
- Acorda, velho. Tá parecendo que viu um fantasma, assombração, sei lá.
- Ainda tô impressionado. - acho que foi isso que ele disse.
você já deve ter assistido aqueles filmes que passam à tarde na televisão que quando a garota está passando a câmera vai ficando lenta e vai tocando aquela música meio tosca no fundo. era ela. caminhando devagar, fingindo uma cara de enjôo - eu reconheço quando alguém está fingindo uma doença, afinal são muitos horários de prática.
- Você se machucou foi? - será que toda vez que ela me visse, ela ia rir de mim. me senti um completo idiota, talvez eu fosse mesmo.
- Não foi nada.
os dois retardados prontamente ajeitaram-se na cadeira e começaram a sorrir para ela com uma cara que eu prefiro não comentar.
- Eu sou a Estela. Não lembro de você ter falado seu nome.
- É, não tive tempo, estava ocupado demais caindo.
e pra variar um pouco, ela riu de mim. só que dessa vez foi diferente. o rosto dela ficou corado.
essa é a parte da narrativa que eu começo a descrevê-la. mas vou tentar me prender ao simples. não quero ter que fazer um outro livro só para tentar adjetivar cada parte dela. as pernas todos já devem imaginar. ela é magra, tem o meu tamanho, tênis simples como as unhas da mão, simplesmente lixadas mas sem nenhum tom de esmalte. cabelo bom, meio encaracolado, meio liso, dourado e batiam um pouco abaixo do meio das costas. a silhueta do rosto era a coisa mais linda que eu já tinha visto. não tinha a cara gorda nem muito magra. um nariz fino, olhos arredondados e castanhos. caminhava não, flutuava.
- Eu sou o João.
- E eu sou o Pedro.
- E eu sou o Romário.
os dois quase falaram em uma espécie de coral desafinado se intrometendo na conversa. e ela riu. será que ela só sabia fazer isso? mas porra, era o suficiente para tirar muitos suspiros e mexer com a imaginação de pobres caras como nós.
- Eu morava em Londres, mas meus pais foram transferidos de volta para Petrópolis.
- Eu sabia que você vinha de Londres. Os ares de lá fazem muito bem a pele, sei muito bem como é isso. - puta que pariu, Romarinho. o lugar mais longe que ele tinha ido, foi a excursão que o colégio fez para o zoológico.
- É, deve fazer bem mesmo. Eu vim para esse colégio porque é perto de minha casa, mas não conheço ninguém aqui.
- Não se preocupe, nós te acolhamos. - rosnou o Romário.
- Nós te acolhemos, jumento. - concertou Pedrinho enquanto todos riam.
e aí foi o início de uma longa amizade.
juntamos o útil ao agradável. ela é linda e gente boa. éramos três, agora somos quatro. a partir daquele dia, nos tornamos inseparáveis. o Romário venceu a 5ª, eu, o Pedrinho e a Estela passamos para a 8ª.
chegaram as férias.

continua...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

História de Joãozinho revoltado um

- puta que pariu, caralho! eu não vou pra porra de aula nenhuma hoje! não enche!- eu pensei que sendo tão ignorante ela ia entender. ia ficar chateada mas ia entender. mas porra, ela não entendeu e ficou chateada mesmo.
enfim, lá vou eu para a minha aula. professoras gordas demais. as minas magras demais. os caras retardados demais e o corno incomprável do porteiro. ligo meu mp3 surrado e fudido e vou andando com o sol dois palmos acima da minha cabeça que vai quase rastejando.
quando eu chego eu dou de cara com a nojenta da dona da cantina. ninguém sabe mas eu acho que ela sempre cospe no lanche de todos e bota pedaços de unha no liquidificador e prepara os sucos "cremosos". antes de chegar à escada de setenta longos degraus, ainda tenho que passar pela sala do filha da puta do coordenador que usa umas perucas, no mínimo, surreais. após vencer toda a escadaria, ainda tenho que me deparar com os retardados que ficam olhando torto pra mim, as piranhas que exalam um cheiro de motel de beira de estrada e uns caras estranhos que ficam sentados no chão, usam calças de pescador, tênis precisamente amarrado, cabelo devidamente penteado e uma puta de uma conversa de nerd.
eu sei que sou um pouco anti-social. eu sei que tenho vários problemas com a minha própria vida mal resolvida, que não lavo os pratos em casa, desobedeço minha mãe as vezes, não forro minha cama e finjo tomar banho, mas porra, porque minha própria mãe, sangua do meu sangue, tem que me enviar todos os dias para esse castigo eterno, para essa tortura psicológica, para esse desgaste físico. o que eu fiz para você, mãe? caralho.
começa a primeira aula. química. o professor é gordo, velho e rabujento. eu acho que ele não é desse planeta, ele fala um monte de coisas que eu não entendo e sei que nunca vou entender e nem quero. quando eu era mais novo, lembro de minha mãe dizer: Joãozinho, para de fazer cara feia porque se o vento passar, você vai ficar assim para sempre. eu acho que foi isso que aconteceu com ele. coitado, eu tenho pena dele as vezes.
segunda-feira. meu final de semana foi um saco. primeira aula de química e agora duas horas de matemática. puta que pariu. quem inventou matemática? quem tentou responder todos os exercícios da matemática? quem inventou os exercícios?
tocou o sinal. caralho, finalmente tocou o sinal! então eu pego meu sanduiche de presunto e queijo que minha mãe enrola no papel laminado e jogo fora, porque ninguém merece, né? eu desço rápido, voando pelo corrimão e chego até lá embaixo, e o Pedro já está me esperando com aquela cara de bunda dele.
- Você já acabou de ouvir o cd da Nação Zumbi que eu te emprestei, viado?
- Qual é, Pedrinho? Deixa de ser chato.
Entre ofensas e brincadeiras, a gente foi lá do outro lado do colégio pra falar com o retardado do Romário, que já reprovou duas vezes na 5ª série. a gente costuma falar que ele vai fazer mestrado na série. eu não aguento mais essa escola passando ano a ano, imagine fazer cada série três vezes. não quero nem pensar nisso.
- Meu irmão, você já viu a gatinha que entrou na 7ª série? - falou o Romário com uma cara enorme de espanto. ele já costumava ser estranho, a cabeça grande, o tronco achatado e os pés torto.
- Como que eu não a vi lá no meu bloco?
- Você do jeito que vive voando, Pedro, não sei como você ainda não caiu na escada.
depois de rirmos um da cara do outro e de falar mais uma vez que o Romarinho é feio pra caralho, nos arremessamos de volta para a história da menina novata e fomos atrás dela lá no bloco onde estudo.
subimos correndo os 70 degraus e xingando o viado que decidiu colocar as salas da 7ª série no último andar. 67, 68, 69... "puta que pariuuuuuuuuu". sempre conto todos os degraus, na tentativa de um dia a escadaria diminuir, e quando estava no último, pisei o pé direito no cadarço do tênis esquerdo e sai cambaleando até o outro lado, só não fui mais longe porque me enrosquei nas pernas de alguém.
- Eita queda do caralho! - falei rindo de mim e curtindo um pouco da dor que estava sentindo quando coloquei o braço para amenizar a queda.
ouvi uma risada que parecia mais uma canção suave. quando olhei para cima das pernas que amorteceram minha queda:
- Caralho, que porra é essa?
- Você devia me agradecer e não me xingar, não é? - disseram as pernas falantes rindo.
e aí já não eram apenas pernas, eram muito mais. não que as pernas não bastassem, e como bastavam, mas, porra, o resto valia muito mais a pena.
- Você é linda mesmo.
- O quê? Acho que você bateu a cabeça também.
- Quer dizer, obrigado pelas suas pernas.
- Han? - e a risada dela intensificou-se.
- Não, você está me entendendo mal. - falei levantando-me subitamente - Eu só quis agradecer por você ter amenizado minha queda.
- Não foi nada. - e continuou rindo.
finalmente me dei conta de que todos estavam olhando para mim, falando o quanto eu era burro pra caralho e rindo muito da minha queda. rindo muito mesmo. até fizeram uma comunidade no orkut para mim.
agora as pernas que me ajudaram, deram meia volta e saíram sem dizer mais nada.

Continua...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Graças a Deus

nasceu um novo dia e ele é imenso como o céu, ele é cheio de raios de sol impedidos de passar pela minha janela, ele é imponente e promissor. a noite passara bem e o dia chegara sem qualquer especie de problema. graças a Deus. por tudo. por cada contorno artístico que as nuvens desempenham, por cada pássaro que canta lá fora, por cada pessoa que respira, por cada respirar por pessoa, por cada célular no meu corpo. graças a Deus pelos meus dois braços e minhas duas pernas. graças a Deus por todas as maravilhas oculares da natureza e pela chuva que cai no final da tarde. graças a Deus pelas celebrações e por todas as comemorações diárias, pela minha refeição e pelo meu teto, por todos os sentimentos remanescentes na face da terra. graças a Deus por minha vizinha e o seu rebolado, pelo meu futebol, pelo meu boteco, pela minha família, pelos meus amigos. graças a Deus.

acabou o velho dia que vai para dar espaço para um outro novo. graças a Deus!

Monólogo da madrugada apaixonada

eu sou. eu penso. tudo aquilo que sei que sou e penso me remete a você. devo muito do que sou hoje a você e tudo que penso me leva direta ou indiretamente a você. sou loucamente apaixonado por tudo em você e desde o início bolo mil maneiras de estar com você, fiz planos para te conquistar, mesmo quando eu não sabia ou quando eu prefiria não acreditar ou até quando eu sabia e não conseguia acreditar que alguém como você, repleta de infinitas qualidades, poderia se interessar de verdade por alguém tão inseguro como eu.

eu sou. eu penso. se penso, logo existo, então existe sim uma parte de mim que só existe quando penso em você. talvez seja o melhor de mim, a parte que eu nunca havia descoberto, a parte que eu nunca fizera questão de descobrir. hoje eu sei que é só com você e por você que essa parte existe. e logo, existo por inteiro, saí do plano paralelo das ideias e utopias para a projeção perfeita que tudo em você me proporcionou.

eu sou tudo que penso e você é tudo em mim. saiu do pequeno espaço que aquela parte, que tornou-se organismo com vontades próprias, e partiu para a complexidade da vida. não é alguma especie de dependência ou necessidade, mas sim um tipo raro de compatibilidade, um tipo clássico de encantamento, um esteriótipo do amor. se amor confunde-se com a loucura e com a falta de lucidez, eu não sei, mas que já passei da barreira da razão há muito tempo, eu sei que passei. fiz, faço e farei coisas por você que ninguém em outra parte do universo fará por outro alguém.
como alguma outra pessoa importante disse mais ou menos assim: duvida do brilho das estrelas, mas não duvida do meu amor; hoje eu sei realmente o que cada espaço dessa afirmativa quer dizer.

eu sou você em cada respirar e eu penso em você a cada volta que o ponteiro percorre pela circunferência do relógio que separa entre suas idas e vindas no meu humor.
eu sou tudo que quero ser e devo tudo a você e o seu amor.

obrigado por tudo! obrigado pelo amor!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Falar de amor

e como a chegada da onda que proporciona sublimes segundos ao surfista e adorador do mar, como o nascer do sol visto por de trás das nuvens, como a visão de uma estrela cadente que costura o grande painel divino, eu me senti igualmente anestesiado de sentimentos irreconhecíveis e indescritíveis enquanto conversava com você. seus lábios articulavam-se e movimentavam o meu desejo, minha ânsia em poder tocá-los. seu rosto ligeiramente avermelhado por causa da circunstância entregava sua ansiedade camuflada por toda aquela segurança, carisma e olhos que completavam todas aquelas linhas cuidadosamente traçadas no seu rosto.

dia e noite você me atormentava. minha garganta quis gritar, meu violão quis tocar, minha cabeça quis pensar e eu quis você todos esses dias. eu senti que era você quem devia estar ao meu lado, eu senti que eu devia ser a pessoa, o motivo, para que aquele seu meio-sorriso se completasse, para que curasse qualquer dor que ousasse doer, para que afastasse qualquer medo que resolvesse te amedrontar, para te acolher em meus braços e levar você para conversar lá em casa.

já passou um ano desde que você disse sim para mim. faz um ano que eu me senti completo pela primeira vez. há um ano eu vou dormir ansioso e acordo feliz para te ver novamente. em um ano, ninguém pintou tão bem esse meu sorriso como você pintou em todos os seus beijos, em todas as suas declarações, em todos os seus anseios, em tudo! você me faz passar pelos trópicos imaginários a cada ligação. é tanta felicidade que eu acho que vou enfartar.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Pensar em não pensar em alguma coisa

como não pensar em nada? como fechar os olhos e imaginar coisa nenhuma? como ausentar imagens, pensamentos, sonhos? como transceder a própria imaginação e enganar a própria mente? não sei se seria uma conquista digna de louvor ou se qualquer ameba conseguiria pensar em nada. e me desespero quando me toco que estou sempre pensando em algo, estou sempre dando asas a imaginação, dando pernas a criatividade, dando uma mãozinha para os pensamentos. será que não sou bom o suficiente para abstrair e limpar a cabeça ou será que não sirvo nem para pensar em nada? em quê pensar? ou melhor, em quê não pensar?

o vazio. mas o vazio que vejo com os olhos fechados tem cores e elas me remetem a várias coisas. vou me esforçar para tentar não imaginar nem o vazio. apaga-se o vazio.

a solidão. mas a solidão me arremesa junto a tristeza, afogando-me em decadência numa gradação dolorosa. e mais sentimentos e pensamentos me vêm a tona. apaga-se a solidão.

estou pensando em nada? mas como pensar em nada e estar pensando em pensar em coisa alguma? estou ficando confuso e meus olhos cada vez mais embriagados da luz que invade a minha retina.

no que pensar para não pensar em nada? no que fazer para meditar? subtrair e organizar algumas fileiras de memórias úteis e inúteis em prateleiras de dores de cabeça. arquivar a nostalgia e todas as sensações, boas ou ruins. esquecer-se do vazio que a solidão nos traz, nadar para fora desse mar receoso de tristezas e livrar-nos do medo do escuro.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Do livro da Lya Luft - A história dos Sentimentos

Os Sentimentos Humanos certo dia reuniram-se para brincar. Depois que o Tédio bocejou três vezes por que a Indecisão não chegava a conclusão nenhuma e a Desconfiança estava tomando conta, a Loucura propôs que brincassem de esconde-esconde. A Curiosidade quis saber todos os detalhes do jogo, e a Intriga começou a cochichar com os outros que certamente alguém ali iria trapacear.

O Entusiasmo saltou de contentamento e convenceu a Dúvida e a Apatia, ainda sentadas num canto, a entrarem no jogo. A Verdade achou que isso de esconder não estava com nada, a Arrogância fez cara de desdém pois a idéia não tinha sido dela, e o Medo preferiu não se arriscar: "Ah, gente, vamos deixar tudo como está", e como sempre perdeu a oportunidade de ser feliz.

A primeira a se esconder foi a Preguiça, deixando-se cair no chão atrás de uma pedra, ali mesmo onde estava. O Otimismo escondeu-se no arco-íris, e a Inveja se ocultou junto com a Hipocrisia, que sorrindo fingidamente atrás de uma árvore estava odiando tudo aquilo.

A Generosidade quase não conseguia se esconder porque era grande e ainda queria abrigar meio mundo, a Culpa ficou paralisada pois já estava mais do que escondida em si mesma,a Sensualidade se estendeu ao sol num lugar bonito e secreto para saborear o que a vida lhe oferecia, porque não era nem boba nem fingida; o Egoísmo achou um lugar perfeito onde não cabia ninguém mais.

A Mentira disse para a Inocência que ia se esconder no fundo do oceano, onde a inocente acabou afogada, a Paixão meteu-se na cratera de um vulcão ativo, e o Esquecimento já nem sabia o que estavam fazendo ali.

Depois de contar até 99 a Loucura começou a procurar. Achou um, achou outro, mas ao remexer num arbusto espesso ouviu um gemido: era o Amor, com os olhos furados pelos espinhos.

A Loucura o tomou pelo braço e seguiu com ele, espalhando a beleza pelo mundo, desde então o Amor é cego e a Loucura o acompanha.

Juntos fazem a vida valer a pena - mas isso não é coisa para os medrosos nem os apáticos, que perdem a felicidade no matagal dos preconceitos, onde rosnam os deuses melancólicos da acomodação.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Música

era uma tarde e era igual. uma tela indiferente. um retrato comum. céu azul, sol radiante. e o que fazia sua cena ímpar era o som, era a música. e a cena o fez escutar o que estava tocando. o som veio pelo ar, adentrou pela orelha, penetrou os tímpanos, invadiu o cérebro, passou pelos neurônios e virou marcação compassada na sola do pé, que virou batuque, que virou ritmo. virou suingue, que virou ritmo. virou batida, virou ritmo.

compassos ordenados e sicronizados, mente alerta e ouvidos funcionando e atentos. criatividade e ideia. movimento contrario do impulso. da sola do pé, do ritmo, direto para o cérebro, direto para o ar. e fez-se letra, fez-se melodia e ritmo.

falava do universo, falava do mundo, acreditava que o amor era remedio e não doença. falava de irmandade, falava de harmonia, falava de sicronia, acreditava que o amor era inicio, meio e fim de uma historia mal contada pela humanidade.

não fez-se musica. ela ja estava ali e ele só a percebeu, ele só a transcreveu, ele se encantou e a cantou. ele não criou, como um processo aerobio, transformou energia em materia.

inspiração existe e é tudo aquilo que nos fortalece e nos torna capaz de tamanha sensibilidade. musica é dadiva, musica é prazer, musica é vida!

sábado, 10 de julho de 2010

Nossa caminhada

quem somos? aonde estamos? para onde vamos? por que vamos? ao decorrer de nossas vidas, sempre nos questionamos sobre nossa própria existência. se o que fazemos está certo, se nossos valores estão corretos e se somos as pessoas que queremos ser.

as grandes coisas da vida não são os artigos de luxo muito menos a exaltação ao capitalismo. não são as coisas que nós aproveitamos sozinhos, nem as que nós precisamos passar por cima de alguém para conseguir, a grande beleza da vida está nos pequenos detalhes, onde todo mundo esqueceu de procurar, onde ninguém mais faz questão de notar. um sorriso, uma celebração entre amigos, uma tarde com a familia, um cinema com a mina, um abraço.

independente da religão que o indivíduo acredite, é inquestionavel a ideia de que quando morremos levamos o que fomos e não o que tínhamos. praticar o bem, ajudar a pessoa que está ao nosso lado, ser generoso e honesto, ser humilde e bondoso, não guardar mágoas nem sentimentos que despertem tristeza e raiva, e lembrar-se que alegria maior é alegria compartilhada.

em nossa historia quando não estamos satisfeitos com o desenrolar dos fatos, procuramos um caminho em que encontremos paz e felicidade, e nos apressamos e queremos percorrer todo esse caminho no minimo espaço de tempo, mas não é isso o que vale. preocupar-se com os fins sem olhar os meios não é algo louvável. na verdade o que importa mesmo é a caminhada, porque o fim é consequência.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Fim

o que aconteceu? não consigo entender o porquê de você parecer estar chorando. eu sei que o dia não tem sido tão bom assim, nem as horas tão generosas, mas não fique assim. eu sei que tudo o que vejo são imagens turvas. eu sei que já não sei mais nada.
desde que entrei você parece não conseguir parar de chorar e eu estou ficando angustiado com todas essas lagrimas. me sinto mal. me sinto inutil. não sei o que faço.
um dia estava chovendo e estávamos sós naquela sala escura e eu nem lembro que filme passou nem a noticia que o jornal anunciou, mas lembro que quando você sorria tudo ficava mais aconchegante e quente. seu sorriso sempre foi grande o suficiente. seu sorriso sempre foi tudo pra mim. por que você não volta a sorrir daquele jeito? por mim...
nosso romance está borrado como uma tela exposta a uma tempestade. nosso amor está degastado como todas as palavras e todas as nossas brigas. o quarto está infestado de um sentimento estranho e no meu estômago, o vazio que existe, está cheio de coisas indescritiveis.
será que foi isso que aconteceu? será que você ainda está aqui? será que é você mesma quem está chorando?
você existe. eu posso sentir. mas não sei mais se está aqui.
um mar de ressaca, uma noite nublada, um mês de greve de fome, uma topada. tudo seria melhor do que essa sensação.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Varanda

Queria eu morar numa varanda. Dormir na rede, sem paredes, sem obrigações e sem mais nada. Bebendo cerveja, curtindo a brisa e tocando um violão. Eu acho que eu ia ser mais feliz. Eu acho que ia ser mais livre, mesmo morando numa varanda, mesmo dormindo na mesma rede.
Com certeza eu seria mais feliz. Sem vizinhos na minha varanda. Pegando um bronze nos dias ensolarados, cantando à noite de lua, e até nos dias chuvosos curtir sozinho.
Varanda solitária e feliz. Eu não queria carro importado nem mansões imensas. Só eu na minha varanda. Cantando as meninas que passassem lá embaixo, cuspindo na careca do 401.
Deixa eu acordar...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Mudança

Sempre ouço muito as pessoas falarem a respeito das outras, sobre o jeito delas, sobre suas atitudes, o jeito que elas falam, ou sobre as pessoas com quem elas andam. Mas o que vem chamando mesmo a minha atenção ultimamente é o fato de algumas pessoas terem vindo falar comigo sobre mim mesmo, sobre eu um dia ter sido uma pessoa e hoje ser outra, enfim, sobre mudança.

Acredito que exista um grande e eterno transitório de ideais, onde agrupamos nossas verdades e crenças em algo que chamamos de caráter. Acredito também que mudar é necessário, mas claro que nem sempre essas mudanças vem para uma "melhora", muito menos que elas agradem a todos a sua volta.

Qualquer um com um mínimo de senso consegue perceber quando alguém muda, mas esperto mesmo é aquele que consegue vê por trás dessa metamorfose social e psicológica. Discussões, desilusões, reflexões, pensamentos, decepções, erros, acertos, diálogos, influências, tudo vem a ser um peso a ser colocado na balança, e em como qualquer balança, nós que devemos ser capazes de saber o que colocar ou deixar de colocar nela.

Dias e meses específicos foram determinantes para uma aceleração nessa minha "evolução", dias e meses que, como um catalisador que acelera uma reação química, vieram quase que vomitados e exigiram uma reação pessoal, resultando em consequências e respostas que tive que descobrir e pensar em algumas coisas que deveriam ser deixadas pra trás, outras que deveriam seguir e assim continuamente.

Não quero me prender a minha experiência de vida, escrevo esse texto agora para transmitir em palavras, registrar e até talvez inspirar outro ser pensante desse planeta. Não deixe que te digam o que fazer, não deixe que te digam para onde crescer e muito menos que você deve deixar de crescer, não deixe que te diminuam ou que queram te fazer desacreditar nas suas ideias, você sem elas é só um recipiente de baboseiras de fácil manipulação e alienação. Caráter é algo que ninguém nunca vai lhe tirar. Sempre dizem que as amizades podem te influenciar, então influencie você mesmo às outras pessoas, mostre que você é capaz de dizer o que é saber viver de verdade.

Independente de qualquer que seja a mudança, que ela passe pelo caminho da sintonia e da harmonia, sintonia com você e com as pessoas que estão ao seu redor, harmonia com a natureza, com Deus, com sua família ou com qualquer afim seu, só não deixe de mudar. Todo tipo de mudança é válida.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O som do silêncio

Bom aluno que sou, aplicado nas matérias cabidas a mim na faculdade e empenhado nas aulas (quando eu as frequento), estava escutando o meu professor lecionar sobre ritmo, colcheias, semibreves, pausas e ao mesmo tempo fazendo da sala de aula um enorme coro.

Não pretendo relatar essa chatice toda porque vocês não merecem. Então continuem a ler o texto, porque a chatice ficou somente para o parágrafo acima.

No meio de contratempos e exercicios ritmicos, o professor fez uma observação memorável, que assim que assimilada pelos meus neurônios, ficaram em alguma parte do cerébro responsável por pensar por muito tempo em qualquer coisa sem sentido. Enfim, lá se foram as duas aulas seguintes pensando na mesma coisa.

"Vocês tem que ter na cabeça todos os sons, mas ouvir também o toque do silêncio das pausas."

Se ele não fosse professor de música da faculdade, com certeza ele seria poeta, mas isso não vem ao caso. Uma vez alojada num compartimento do meu cérebro, a mensagem foi tomando vários significados e aplicações em várias situações, de como por exemplo, deveríamos ser todos atentos a muitas coisas que não estão à primeira vista, desconfiar de algo que parece certo, saber que as coisas mais simples estão nos lugares mais simples ou até entender que as vezes um silêncio diz tudo.

A escritura na pauta não é só feita de toques e notas, também é composta por essas tais pausas que indicam silêncio. Então quer dizer que na composição da melodia de uma música, o silêncio tem um papel muito importante. As vezes a solidão nos diz muita coisa né? É interessante como no silêncio podemos refletir e acharmos respostas. Muitos gostam de festas e lugares barulhentos cheio de pessoas, mas ninguém nega o conforto de um lugar tranquilo e sossegado, onde o silêncio é a melhor melodia aos nossos ouvidos.

Creio que até agora aquela parte do meu cérebro ainda não parou de funcionar, então devo dar um descanso a ela, afinal, até o ócio cansa.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A filosofia e a vida

A ideia surgiu quando estava conversando com um conhecido e ele me corrigiu quando falei, com toda a minha humilde ignorância, sobre filosofar. Ele me disse que, diferente do que eu pensava, precisamos essencialmente do nosso senso crítico e dos nossos próprios questionamentos para começar a prática da filosofia. Não que isso seja tão fácil quanto parece, nem tô dizendo que é só apenas sair por aí filosofando.

Cheguei a ler algumas coisas aqui na internet que dessem créditos e suportassem alguns argumentos meus, formulei uma teorias, ouvi outras, enfim. Estamos em contínua busca por felicidade, paz e satisfações, estamos sempre caminhando em pro de um avanço. Questionamos sobre a razão pela qual as coisas acontecem ou deixam de acontecer, nos indagamos sobre coisas que devemos fazer ou deixar de fazer, colocamos nosso próprio espírito e nossos valores em questão, no intuito de que possamos entender a nós mesmos, para que possamos entender o que nos cerca.

Andamos pelo caminho nos perguntando onde é o fim, talvez o próprio caminho já seja o nosso fim, nossa meta. A cada vez que vamos avançando por essa estrada estamos chegando próximos das consistências no nosso caráter, da aceitação das diferenças, da vida vivida plenamente e, o mais importante, estamos nos aproximando do grande sentimento chamado amor.

Pense se no mundo todos vivessem à sombra do amor, se todos caminhassemos na mesma estrada, onde o inicio e o fim se confundem e ao mesmo tempo não importasse onde fossemos chegar, onde o ciclo da vida só seria amar e sermos amados.

Filosofando, falando besteira, pensando em qualquer outra coisa, amando, cantando, compondo, sorrindo, dormindo, estudando ou apenas vivendo, eu vou seguir esse caminho que não sei onde vai dar, e quando eu achar que cheguei em algum lugar e notar que não saí do lugar, vou estar contente por ter as pessoas que amo ao meu lado.

domingo, 2 de maio de 2010

Carta à Madrugada

Madrugada,

Tem gente que não vê a melhor parte de você e acabam perdendo todas essas suas horas inspiradoras. Tem alguns que te vivem intensamente, e acham até que vivem não só suas tais horas de um jeito efémero, mas a vida inteira assim. Outros preferem fazer da sua obra-prima, a insônia, companheira dos livros e da televisão.

Eu, antes de qualquer outra coisa, venho através desta me declarar. Dizer que eu conto as horas para te ver, para estar em você. E o resto do dia não tem graça, acabo dormindo e passando pelos momentos que intercalam com suas indas e vindas.

Silêncio

Quando você vem, meu violão desenha as minhas melhores canções, as cores cantam toda a beleza visual, o meu estado de espírito é outro. Eu te espero de barriga vazia, te espero com um sorriso na cara, e quando eu ouço que ninguém fala nada, e falo tudo que ninguém ouve, é a hora! E como se não bastasse a lua iluminar, especialmente a cheia de hoje, ela te acompanha e te da uma beleza ímpar!

Apesar de todo o espetáculo do nascer do Sol, todos os agradecimentos que faço a Deus e a alegria que sinto por mais um dia nesse mundo, eu choro por saber que você já esta indo embora, e ai tudo volta a ser como era antes.

Barulho

E mais uma vez você se foi, mas sei que vai voltar, estarei no mesmo lugar para te dedicar toda a minha alegria em poder estar com você, que nunca me abandona. Não importa a tristeza, você sempre vem! Por mais que eu tenha aprontado alguma, caído no sono no meio do sofá, enchido a cara, e você, chateada, faça com que suas horas passem ligeiras, você sempre volta!