sábado, 2 de outubro de 2010

Reféns

ele pode escolher que roupa usar para sair, pode escolher para onde ir e até mesmo se ir ou não. ele tem o lívre arbítrio, independente de religião e política, ele faz o que quiser fazer. se nós somos o que fazemos, e fazemos o que acreditamos, somos o que acreditamos também? e conseguimos controlar o que a nossa mente controla?

a mente humana. a parte não-física do nosso cérebro, uns até a chamam de alma. sinapses, reflexos, caráter, meio externo; o que podemos levar em consideração? nós temos total controle daquilo que chamamos de mente? somos o que queremos ser ou somos alguma consequência de uma rede de fatores? existem coisas nas quais não queremos pensar e mesmo assim pensamos. existem outras que queremos esquecer e não esquecemos. os medos existem e ninguém escolhe o que temer. ninguém escolhe de quem gostar (de verdade). o próprio exercício mental faria com que tivéssemos controle sobre a nossa mente ou faria com que apenas a conhecessemos?

ele queria realmente esquecer o que o atormentava, queria ter tudo bem resolvido em sua cabeça mas não conseguia expulsar da própria cabeça as várias incertezas e inseguranças, o que o tornava bastante vunerável a qualquer manifestação de sentimento e bastante instável. o aperto no coração apertava cada vez que lembrava de esquecer das coisas que já devia ter esquecido, coisas que ele esquecera de esquecer. as vezes ele mesmo tinha a impressão de que não era conveniente deixar todas aquelas lembranças para trás e simplesmente se acostumou com elas. até o dia que novas lembranças tomarem conta da prateleira que as antigas ocupavam, e quando ele menos perceber, vai mudar o jeito de pensar, vai começar a gostar de outras coisas e andar com outro tipo de pessoas, vai se vestir e falar diferente e vai acostumar-se a viver mudando. acomoda-se na própria mente.

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