domingo, 12 de dezembro de 2010

O que posso fazer?

faço agora do meu maior defeito, minha maior virtude, apenas por algumas linhas e alguns minutos. vou falando impulsivamente sem parar e isso é uma característica marcante em mim, não que eu me incomode nem que não me incomode, na maioria das vezes mal percebo que estou sendo inconveniente. quero falar agora, quero falar depois e se vc quiser falar, vai esperar eu acabar de falar. não estou fazendo isso para provar nada para alguém, não preciso disso.

desde criança sempre fui apegado a filmes de comédia românticas e romances em geral. percebi que em todo filme alguém fala alguma coisa que fica subentendida e sempre acabava que a circusntância mal-interpretada, acabava separando os protagonistas. acabei me influenciando, positiva e negativamente falando pelo que ocorria nas tramas das telas de cinema. acabei sendo o unico cara que conheço, se é que posso considerar essa estatística, que acredita DE VERDADE no casamento e no relacionamento monogâmico. enfim, acabei me tornando, pra mim, o oposto das situações que separavam o casal principal do filme. comecei a falar, se me fazia desentender, tentava me fazer entendido. aprendi a organizar ideias e usar a logica a meu favor. isso começou porque eu gostaria de ser assim, gostaria de parecer seguro. mas agora me dizem coisas que sinto que criei um monstro dentro de mim.

não vou culpar as produções hollywoodianas por meus defeitos. é tudo culpa minha mesmo. mas o que posso fazer? hoje sou viciado na fala. uns param para me ouvir, outros saem de perto quando eu começo a falar. uns adoram rebater as coisas que digo, outros preferem fingir que estou entendendo. mas o que posso fazer? a minha cabeça tem uma fórmula incalculavel que calcula a vazão dos meus pensamentos, que passam a toda hora para todos os lados e onde deveria ser o foco que minha mente usaria para lê-los, nenhum se aqueta ali, sempre ocorre um empurra empurra e ninguém consegue se entender aqui dentro.

existe também outra fórmula incalculável que calcula a profundidade das minhas ideias. as vezes parece que acabo, eu mesmo, deslocando-me por não conseguir que ninguém mergulhe tanto nos meus balões de comunicação como eu mesmo. as vezes parece que só eu me entendo. enquanto estou falando algo, as pessoas escutam atenciosamente e até franzem a testa, e quando vão comentar ou rebater, acabam se jogando em um precipício sem o paraquedas da lógica que eu estava amarrado, e aí desmorono junto com a carruagem; triste, incompreendido e sozinho.

por enquanto é só isso. nada mais auto-explicativo que essa postagem. diferentemente da maioria dos textos que posto aqui, esse aqui aconteceu e acontece de verdade, não é fictício. não estou escrevendo para ninguém e nem por alguém. se não quiser, não leia. acho que avisei um pouco tarde, mas e daí? o que posso fazer?

Um comentário:

  1. ah, rafael, cala boca aí, na moral!

    zoando asuhauhs

    adorei esse texto. me identifiquei, mesmo não sendo exatamente assim comigo. acontece que muitas vezes eu mesma me jogo no precipício sem o paraquedas da minha própria lógica... me perco no meio das minhas próprias falas e me chateio quando não entendem o que quis dizer. mas, e daí, o que eu posso fazer?
    =***

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