domingo, 23 de dezembro de 2012

Quaresmeira

Flores de verão e folhas de outono, não importa a estação, eu espero sempre pronto. Não importa a situação, não tem regra, só intenção, não tem pressa, só vibração. Amor de verdade ou amor de verão, não importa! Me liga mais tarde, não esquece não... Canta samba, dança reggae, escuta rock e eu faço preces: não esquece não! É corda bamba seu vestido leve, lembro do toque do labio de neve. Não esqueço não.

Vento terral traz, onda no mar faz a cabeça da galera, na minha só você. Não brinque de se esconder, não brinque com meu coração, flor de meu verão. Você é a sensação, chuva pro sertão e milagre da vida, devolveu a minha e me entregou a sua.

Linda menina, não esqueça nunca, não esqueça de ser o que você quer. Não esqueça de ser quem você é, não esqueça de ser minha, minha flor do verão.

Bem-me-quer, mal-me-quer... Mal te vi e ja te quis, agora mal posso esperar pra te ver chegar, pro telefone tocar, pra porta abrir e na sequencia te fazer entrar, me fazer sorrir e cantar. Grite que mal-me-quer, diga que bem-me-quer, mas nunca esqueça de ser quem você é!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Conto de véspera de feriado

Minha cabeça quase encostou no balcão depois da colisão na minha nuca. Demorei um pouco pra reagir, tinha perdido as contas nas cervejas e junto com elas o reflexo. Ouvi uma voz maior que o meu pensamento dizendo pra eu ir lá.

- Levanta, otário. Vai ficar babando a menina a noite toda? Vai falar com ela logo, moleque.

Onde eu estava? Havia perdido os sentidos, mas dessa vez a culpa não tinha sido do álcool. Encontrei em minha visão doses de entorpecente inimagináveis. Minhas pupilas acompanhavam aquele balé celestial do outro lado da boate. Mesmo que passassem dezenas de pessoas na minha frente, eu não conseguia tirar os olhos daquela visão. Estava enfeitiçado, procurando no fundo do copo o antídoto que precisava: coragem!

- Eu vou lá, Tuco! - falei pro meu agressor - Me deseja sorte, porra.

Sai tropeçando e desferindo cotoveladas pela pista. Fui abrindo caminho com os olhos fixos no meu objetivo que não estava dificil de avistar. Enquanto todas as mulheres usavam e abusavam das saias curtas e vestidos justíssimos, a bailarina descompassada usava uma saia longa e desprendida, não tão solta quando os cabelos cachados que brincavam com as luzes e lasers que me guiavam. Abdicou da maquiagem exagerada e usava apenas uma sombra no olho, o que a tornava ainda mais enigmática. O que será que ela estava fazendo ali? Tão alheia àquele lugar quanto sua preocupação ao dançar. Não ligava pra nada, nem queria chamar atenção de ninguém, mas acabou causando o efeito contrário. Da mesma forma que todos os caras tentavam investidas, eram evitados e driblados por passos suaves e deslizantes, tornando o sucesso impossível. Que visão! Que mulher!

Quando estava chegando perto, olhei pra trás pra tomar coragem no olhar de Tuco, meu amigo de infância. Deu pra ver que ele estava tão apreensivo quanto eu, levantei a mão em sinal de que estava bem, quando senti um esbarrão. Uma patricinha oxigenada me empurrou depois que sentiu seu pé embaixo do meu. Tão delicado quanto a coloração da tinta em seu cabelo, foi o soco que seu namorado e segurança particular me deu no meio dos córneos. Antes de perder os sentidos o escutei pedir gentilmente para que eu pedisse desculpas a sua acompanhante. Isso, depois do soco.

Recuperei os sentidos um pouco depois e reconheci a calçada fora da casa de show. Ouvi a risada de Tuco, seguido de um "ai". Olhei pro lado e ele tava com o olho roxo e um corte no nariz, e uma menina que lhe amparava no colo dando água na boca.
- Você tá bem?
Que voz suave. Me senti bem leve depois de reconhecer aquele rosto reluzido por uma pequena iluminação proveniente do poste. Mas aquela expressão tranquila tinha dado lugar a um semblante de preocupação.
- Seu cabelo solto fica mais bonito. - arranquei risadas sinceras e vi a sua preocupação ir embora com um suspiro de alívio.

Ela me explicou que meu amigo tinha intercedido na confusão, e acabou apanhando junto comigo. O playboyzinho que me acertou o rosto, era o filho do dono da casa de show, acabamos sendo colocados pra fora mesmo depois de ter levado uma surra. Arrumei além de uma carona pra casa, curativos, beijos e um número de telefone.

"Da próxima vez arrume um encontro menos dolorido que esse, filho da puta." Essa era a primeira mensagem que encontrei no celular.

"Venha até minha casa hoje. Vê se não arruma alguma confusão antes de chegar até mim." Essa foi a segunda e a que me arrancou um sorriso de verdade.

domingo, 28 de outubro de 2012

poeminha mais ou menos

E hoje o dia será assim
menos do mundo e muito mais de mim
muito mais de chuva lá fora
muito menos de preocupação depois da porta
mais versos pra voce recitados
Menos roupas e mais beijos roubados
Na cozinha cheiro de amor
Café na cama com afagos de carinho
Com pedaços de beijinhos
Contra o frio, sou seu cobertor
Contra lagrimas sou seu protetor

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Enquanto

Ela ja acordou esperançosa. Mal abriu os olhos e a primeira coisa que procurou avistar, foi o celular. Noite anterior, ela saiu com as amigas, as quais ela nao via há um tempo.

Era sexta, dia de música ao vivo, tributo a Jorge Ben. Ela escolheu minuciosamente um vestido de renda, queria simplesmente passar despercebida. E nao conseguiu. Ele veio deslizando por entre todas aquelas pessoas do bar, a tomou pelo pulso e conquistou sua atenção. Olhou profundo e disse com toda a sinceridade do mundo:
- Sairei se voce quiser, mas não tem nada no mundo que voce não queira que nao vá encontrar comigo.

Desprenderam-se varias risadas por parte dela, e do outro lado apenas um sorriso seguro. Ela aceitou conversar depois da terceira ou quarta vez em que ele voltou. Trocaram risadas, abraços, telefone e ate uns abraços foram arriscados.

- Só quero um beijo, te guardar em um toque.
- Guarde seu entusiasmo, e deixe acontecer.
- A vida é muito corrida, tudo passa muito rápido, momentos assim nao se repetem facilmente - retrucou ele.
- Entao se tiver que acontecer, acontecerá. - ela entao pegou o celular dele, tirou uma foto e salvou como papel de parede alegando que seria o que ele levaria dela naquela noite.

Conversaram mais e ele prometeu que ainda a faria se apaixonar como ele s apaixonou quando a viu pela primeira vez.

Mas o telefone não tocou no dia seguinte, nem na semana seguinte, nem em meses. Ela não sabia seu sobrenome, e em são paulo dificilmente tivessem amigos em comum.

A noticia tardou, mas não deixou de chegar. Seu sobrenome e todas outras informações em uma rede social, mais mensagens de luto. Ele falecera em um acidente de carro no dia em que se conheceram.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

s com som de x

Gosto quando você se esconde atrás das próprias mãos, pensando talvez, que eu não consiga te ver, enxergar seu mundo, que atrás dos seus olhos eu verei as poesias que esconde à respeito desses lindos cabelos.

Engraçado gostar de como você gosta de mim. Eu gosto do quanto você me faz sentir engraçado e da quantidade de vezes que rimos juntos. Gosto de pronunciar seu nome, gosto de chamar por você, gosto de estar em seu quarto, de estar em seus braços, de estar em você.

Mesmo que eu pareça desleixado, mesmo que eu fique um pouco deslocado, gosto de te fazer perder o ar e te arrancar suspiros. Eu gosto mesmo de você.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Profecia

Sonhei com você novamente. Não sei nem como dizer, mas os sonhos estão cada vez mais reais. Quase sinto o seu perfume, me esforço tanto pra lembrar da textura dos seus lábios que dói o coração não acordar do seu lado.

Você me disse que estava bem no café da manhã, que de tarde não iria trabalhar para vermos aquele filme que vimos no cinema uns dois anos atras. Que usaríamos a chuva como desculpa para todos os outros compromissos, e nos trancaríamos por semanas no quarto.

Mas o quarto não existe. Estamos no verão e não esta chovendo. Não temos filmes favoritos. Sonho sempre com o mesmo rosto há cinco anos, procurei ate cansar por onde passei, mas só quando adormeço que posso te ver.

Espero a noite que vem pra sonhar com esse encanto. Todas as horas sofridas que passo acordado, fico atento procurando reconhecer seu rosto, pra finalmente me apresentar a você. Tenho templos inteiros em mim dedicados a essa mulher que sequer conheci.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Subindo as escadas

Desde que acordei hoje eu soube que esse momento aconteceria. Eu olhei pela janela e o céu nublado me disse pra continuar deitado. Eu tentei lembrar da mulher que conversou comigo no sonho, mas agora ficou muito mais claro, era você.

Eu quis voltar a dormir e procurar você por entre os sonhos tristes, sonhos felizes, pesadelos assustadores, mas eu não consegui. Então você martelou em minha cabeça durante todo o dia.

Te vendo falar agora, eu tenho certeza que é você. Você que eu tanto procurei, você que figurava em meus sonhos, você que eu procurei em tantas outras, você. E eu nem sei como te dizer isso sem parecer louco.
Você fala sobre trabalhos voluntários e sobre mudar o mundo, e eu só penso em como você mudaria a minha vida. O que eu poderia dizer?

segunda-feira, 30 de julho de 2012

até o último segundo

Esbarrei em um braço, no meio agitado entre tantos, esbarrei justamente naquele braço. Derrubei um copo de whisky com gelo, o que me fez lamentar mais ainda ter esbarrado.
- Porra, molhou meu cigarro. - a primeira constatação ao colocar a mão no bolso veio à boca antes do pedido de desculpas.
- Sabia que paciência é uma virtude?
Então me dei conta do total estado de desmanche em que declinei. A menina me falou com um sorriso sob medida para aquele rosto brilhante com um maço na mão. Eu apenas peguei-o, meio sem entender aquele tom essencialmente bom.
- É que lá no Tibet eles falam assim.
Um sorriso irritante, uma paciência que dava raiva. Que mulher encantadora. Minha consciência beliscou minha mente e enfim reagi à situação:
- Deixe eu te pagar outro copo.
- A gente se vê por aí. Cuidado por onde anda, rapazinho. - consegui sentir todo o meu corpo estremecendo ao ouvir aquela voz macia e suave.
O que tava acontecendo com a minha cabeça? Olhei pro maço de marlboro e me direcionei ao bar.
Bebi três. Tá, quatro. Talvez eu tenha bebido mais de dez cervejas. Na festa já não havia quase ninguém. Minha cabeça já estava rodando e já estava amanhecendo. Hora de ir embora e nem sinal da menina com a blusa melada de whisky.
- Brother, vou nessa. Amanhã prometi acordar cedo e dar uma corrida.
- Fala sério, né? Bebendo desse jeito, que vida saudável você vai ter, moleque.
Meus amigos sempre me divertem. Até perdem os limites as vezes nas piadas, mas eu nunca me importei.
- Amanhã te ligo. Valeu.
Atravessei o estacionamento, entrei no carro e a única vontade que tive, quando liguei o ar-condicionado, foi de dormir ali mesmo. Tirei o tênis e tirei a camisa que tava me sufocando. Encostei a cabeça no encosto do banco.
- Ei, oh, ei!
Acordei tão assustado que acabei apertando a buzina sem querer. Pensei que já estivesse em casa, mas ainda estava no estacionamento perto da boate. Apesar das risadas e do jeito despreocupado de falar, o carro dela não queria funcionar.
Abri o capô em vão, não sabia nem por onde começar. No final das contas ela travou o carro, me ajudou a tirar a amiga que tava dormindo bêbada no banco de trás e as resolvi deixar em casa.
- Como você disse que é seu nom...
- Louis Vuitton!- ela me interrompeu, e esclareu logo - A blusa. É uma das minhas favoritas sabia?
Eu fiquei sem graça até perceber que ela estava novamente brincando. Seu nome era Luana. Recém chegada de um intercâmbio na Califórnia, e além disso, já visitara o oriente médio, a oceania e a europa. Extremamente encantadora em mais de três línguas, ela tinha um sorriso lindo de verdade.
- A próxima a direita agora.
Peguei a menina desmaiada no colo e levei até a portaria do prédio onde uma figura simpatica nos recebeu e se ofereceu para levá-la para dentro. Me virei para Luana e disse o quanto havia sido impressionante o fim da madrugada e até gaguejei quando fui pedir o número de telefone dela. Foi quando ela começou a dar passos pra trás, ainda andando de costas e olhando pra mim ela foi recitando numeral por numeral quase que sussurando. Espremi os olhos tentando ler os lábios dela e pensando ao mesmo tempo que ela não tinha deixado de sorrir um segundo sequer.
Eu não estava acreditando em tudo que tinha acontecido. Entrei no carro e fiquei remontando os fatos, recontando os acontecimentos. Tinha dado um toque no celular dela e quando peguei o celular novamente já tinha uma mensagem.

Cine amanhã. Passe aqui às 20h.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Rimas inocentes

Então me veio de repente, como um tapa na consciência. Eu soube finalmente, foi diferente de toda e qualquer ciência. Sempre acreditei que os relacionamentos não deveriam ser eternos, que os sentimentos deveriam ser exatos como o corte do meu terno. Mas estava enganado, do nada me toquei, agora não importa quanto tempo estive errado, a sua falta eu sentirei. Por isso estou deixando esse recado, meio exposto, meio achado, que é pra você saber de fato, o quanto estou em pedaços, mas que agora sei: você é tudo que eu poderia ter desejado e o meu amor pra sempre será seu!

Amor a gente sente só uma vez na vida, como se eu te amasse desde que nasci, e vivi todo esse tempo esperando o momento que sua vida se direcionasse a mim. E aí seria um quadro, dos mais belos já pintados e seríamos os reponsáveis pelo sucesso ou pelo fiasco.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Amuletos

No relógio já passavam das duas da manhã quando o garçom veio trazer o bilhete. A letra parecia ter vindo de um desses manuscritos antigos, o papel parecia ter sido resgatado do lixo. Eu não conseguia ler direito, nem prestar atenção por causa do barulho, decidi sair do bar, encostei-me em um carro e inclinei o bilhete pra frente, a luz do poste refletiu nas letras antiquadas e finalmente consegui enxergar direito.

- Você tem fogo? - fui interrompida enquanto estava ainda nas primeiras palavras.
- Eu não fumo.
- Certeza? - insistiu o sujeito.
Foi quando minha atenção foi totalmente desviada para ele. Bermuda, sandália e um camisa simples.
- Você está na frente da luz, pode me dar licença?
- Nunca te vi nesse bar, é a primeira vez que vem aqui? - ignorando o que eu dizia mais uma vez.
- Nunca tinha vindo aqui antes, por causa de cantadas como essa. - Engrossei o tom na intenção de expusá-lo, mas parece que não surtiu efeito.
- O que é isso que você está lendo?
Eu tinha dado as costas e, finalmente, passado os olhos por todo o bilhete. Foi quando várias sensações antigas e sentimentos que havia guardado com muito carinho me toparam.

"Quantas vezes, Amor, já te esqueci, para mais doidamente me lembrar, mais doidamente me lembrar de ti! E quem dera que fosse sempre assim: Quanto menos quisesse recordar, mais a saudade andasse presa a mim!"


Quando me virei consegui enxergar as mãos que nem em mil vidas eu deixaria de reconhecer. Me dei conta de que a letra não havia mudado nada, seu rosto também não.
- Acho que você não me reconheceu por causa da barba por fazer. - Falou o ex-desconhecido abrindo um sorriso no rosto e despertando outro maior ainda no meu.

Eu nasci e morei até meus 15 anos numa cidade no interior do Rio de Janeiro. O dia que mais havia chorado em toda a minha vida, foi o dia em que deixei minha cidade natal para trás. Meus pais haviam sido transferidos para Salvador. Claro que ninguém gosta de mudanças, mas o que mais doeu foi a minha (estúpida) decisão de não me despedir. Nos conhecemos na escola, ainda crianças, e ele foi o meu primeiro amor, o mais puro e o que até hoje não havia esquecido. Impressionante como André encantava as pessoas desde pequeno. Todas as pessoas gostavam de estar com ele, e eu pensei que doíria muito deixar aquele que foi o meu amuleto durante toda a minha adolescência pra trás.

- Você não lembrou de mim ainda?! Pensei que ainda gostasse desse poema.
- Eu... lembrei... do poema... Não! Digo... adorei você... não, não... é... lembrei de você sim, André, deixe de coisa!
- Parece que você viu um fantasma. Depois de quase dez anos e você não me vai me dar sequer um abraço?

Só não senti a sensação do coração acelerar porque eu havia perdido o meu no Rio e acabara de reencontrá-lo, junto ao meu amuleto. Que sorte a minha.



terça-feira, 29 de maio de 2012

O reino da dor

Certa vez me disseram o quanto eu teria que correr atrás do que me faz feliz, sobre como se faz, sobre como ser feliz e fazer alguém feliz. Lembro da intensidade que insinuam-se os olhos, da eletricidade na calmaria da voz e da paciência dada aos ouvidos.

Vim pelo céu rasgando nuvens, cai direto no fundo do oceano e me encantei com o reino que descobri. Nesse reino esquecido, submergido a mil léguas do nível da cidade, havia uma princesa, e tendo em vista toda a sua beleza, logo me apaixonei. Mas como poderia dar certo?

Sempre nos encontrávamos para jogar conversa fora, eu falava pra ela como lá no céu onde eu morava era bonito. Contei sobre as estrelas, como elas brilhavam e inspiravam gerações. Ela, por sua vez, me contava sobre todas as histórias do reino, tentou me explicar como era possível, aquela perfeição inteira, nunca ter sido revelada aos quatro cantos do mundo.

Então chegou o dia em que tive que partir, com a promessa de que voltaria para aquele reino iluminado. Nunca conseguiria esquecer as luzes da cidade e o aroma do perfume da princesa. Chegando à superfície, com o pensamento ainda no fundo do mar e na princesa, prendi o meu pé em um coral. Estava tão perto de casa, tão longe de onde não queria sair e cada vez mais sem fôlego, sem forças pra tentar sobreviver.

Minha vida ficou presa entre os corais, até hoje se você passar pelos recifes, vai ver os olhos que nunca pararam de brilhar. Consegui chegar no meu destino um dia, mas o sentimento mais puro do mundo se perdeu no fundo do mar, e a dor, flutuante, espalhou-se.

Por toda a humanidade ouviu-se um grande sussurro.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

o início do início

Se eu acreditasse que sonhos se realizam, te procuraria e diria que sonhei a vida inteira com esse momento. Se eu, por um segundo, conseguisse acreditar em destino, já saberia que nasci só para te fazer sorrir. Se tivesse força para crer em um mundo melhor, já estaria ligado que você foi a única razão pela qual tudo poderia mudar.

Você entrou em minha vida e já não sinto a dor que carrego comigo. Sei que ainda está aqui, pois estou ciente que nem ela tem força para nos separar. Não foi dificil perceber, te quis desde o começo. A luz dos seus olhos acertou os cristais dos meus, espalhando e irradiando luzes por todo o universo. As nuvens sumiram do céu e o Sol põe-se em prantidão, alegre por saber que mesmo existindo outro astro tão brilhante quanto, ele não perdeu sua majestade.

Você é tudo que um dia me disseram não existir. E não o digo com palavras de amor, te falo com afeto e gratidão, você chegou na hora certa, resgatou-me de um triste meio e arremessou-nos para um infinito fim cor de melancia, cor de céu de fim de tarde, com cheiro de café da manhã de fazenda e leve como a brisa do oceano.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

that's all right

Em toda a extensão da areia o sol queimava sem pena. Acima o céu exibia, em infinita beleza, nuvens com formas de animais. Debaixo do sombreiro, estendida sobre a canga, estava Dedé lendo Clarice. Fora da sombra, Toni corria usando o chapéu-de-palha que a namorada tanto achava engraçado, jogando areia em cima do coitado do Panqueca, o dálmata do casal.

Era um dia de semana, mas não era um dia qualquer, era dia deles e de mais ninguém. A praia era comumente vazia as terças, então brincavam dizendo que todo aquele horizonte-mar tinha sido feito só para os dois. As camisas, celulares, sandálias, e todo o tipo de bagagem desnecessária ficava no carro. Panqueca mal podia sair da coleira que já procurava sujar-se completamente de areia, arrancando boas gargalhadas.

Dedé adora ler, cantar e ouvir o som do mar. Ela sempre fala o quanto adora pés, diz que pra conquistá-la tem que ter pés lindos, o que chegava a ser engraçado. Toni era incrivelmente elétrico e tinha os pés mais feios que as patas do cachorro. Todas as fotos dos casais eram marcadas por caretas ou poses extravagantes. Ele adorava plantar bananeira, lutar com Panqueca e pregar peças na Dedé.

Era mais uma terça mágicas. Enquanto a namorada contava as histórias da professora rabugenta de portugûes analfabeta, Toni ria tão alto que do outro lado do oceano dava pra ouvir. Os dois conversavam de boca cheia e riam mais ainda até se engasgarem. Os sanduiches eram feitos pelos dois, antes de sairem de casa, e comido pelos três. Uma vez eles foram mergulhar e quando voltaram, o dálmata tinha devorado tudo.

Tudo era motivo pra um caldo no mar ou um cascudo na cabeça. Incrivel como eles se davam bem, e como isso era natural. Com os dois, tudo era espontâneo. Claro que eles brigavam, mas não durava meia hora, já estavam abraçados ou irritando um ao outro com piadas completamente sem graça. Saudade daqueles três...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Pequena jóia

O cheiro estava em toda a casa. A televisão estava ligada na sala, e no sofá estava apenas o controle. Na cozinha tocava o disco arranhado, uma seleção especial e carinhosa das músicas que todos ouviam juntos aos domingos. Uma janela enorme, com bordas enormes de madeira, fazia da mesa, arrumada sob o jardim, um perfeito quadro. A grama lá fora era verde, e como tinha chovido na noite anterior, o clima era incrivelmente agradável. Na mesa tinham três pratos, três garfos, três facas e três copos.

O prato do dia era a especialidade da chefe-de-cozinha. Ana fez um curso de culinária na Itália, sempre levou jeito, mas sua paixão mesmo era a medicina. E nada é por acaso. Acabou conhecendo Vicente, com que está casada até hoje, na faculdade. Os dois começaram a namorar antes da residência, e se casaram depois de cinco anos de namoro, quando Ana descobriu que estava grávida. Compraram uma casa enorme, com o portão branco gradeado, garagem para dois carros, um gramado gigante parecido com um tapete e uma roseira encantadora (da qual se orgulhavam tanto).

Todos que viam a barriga de Ana, comentavam o quanto o filho seria lindo, tendo em vista que ela tinha olhos arredondados e claros, um semblante espontaneamente feliz, que a fazia parecer estar sempre sorrindo. Já Vicente era alto e tinha a pele da cor do pôr-do-sol. Os dois juntos formavam um casal perfeito, logo seriam a família perfeita. Então veio ao mundo Letícia.

A primeira filha do casal nasceu saudável e, como previsto, incrivelmente linda. Cresceu em um ambiente iluminado, desses de conto de fadas. Quanto mais Letícia crescia, mais linda ficava, com aqueles olhos grandes e os cachos mais brilhosos do universo inteiro. Crescia cada vez mais inteligente, era a criança mais esperta de sua turma e sempre mostrava ser natural toda aquela simpatia. No aniversário de Vicente, Ana decidiu fazer um pequeno jantar pros mais íntimos. Na cozinha já estava quase tudo pronto.

O telefone de Vicente tocou antes do combinado, Ana soluçava se afogando em choro sem mal conseguir formar sequer uma palavra. Tudo que ele entendeu foi o nome do hospital onde trabalhava, e a ultima frase em tom de desespero: Venha para a urgência!

Ana estava dando os ultimos caprichos na janta enquanto brincava de esconde-esconde com Letícia.

- Minha jóia, venha cá! Seu pai já já vai chegar! Vamos pegar algumas rosas pra ele. Onde você está, filha? Você está ficando boa nis...- Um silêncio aterrorizante na consciência de Ana veio a tona, Letícia estava deitada sobre uma poça de sangue.

Depois de horas dentro da sala do amigo, Vicente saiu desconsolado. Ana partiu pra cima dele com todos aqueles termos médicos e perguntas que envolviam seus sentimentos e medos. Nenhum médico saberia explicar o que aconteceu. Letícia teve uma hemorragia interna e sangue saiu pelo nariz até que ela ficasse inconsciente e viesse a falecer horas depois.

Então todos os domingos Ana cozinhou o prato favorito de Letícia, colocou o prato no lugar que ela costumava sentar-se e ouvia as músicas que ela e o marido costumavam ouvir. O jardim foi ficando cada vez menos verdes, o sabor na comida foi sumindo aos poucos. Um casal jovem com um peso enorme nas costas, e toda a perfeição deixou de existir.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Descomplique

Deixe tudo o que você aprendeu pra trás, esqueça as coisas que te disseram sobre o amor. Ninguém está completamente satisfeito, ou completamente infeliz. Quebre regras e paradigmas. Por que você não pode ligar no dia seguinte? Fica aí se lamentando, esperando a ligação e sofrendo de forma desnecessária.


Quero deixar bem claro duas coisas. Faça tudo que tiver realmente vontade, porque aí ninguem depois vai poder te julgar ou dizer que você deveria ter feito diferente. E daí se deu errado? Imagine se tudo desse certo pra todo mundo sempre? Milhares de pessoas ganhariam a mega-sena, Angelina Jolie já estaria em seu bilionésimo casamento e o Corinthians já teria ganhado 20 libertadores. Ninguém pode ter tudo e nem tudo pode ser perfeito pra alguém.


Não existe sorte, não existe acaso, ou fatos predestinados. Não planeje o futuro, deixe que hoje acabe, pra poder viver o amanhã. Faça cada segundo das pessoas ao seu redor valer a pena. Faça com que as pessoas se sintam bem ao seu lado, faça com que as companhias sejam prazerosas, porque desse mundo não levamos absolutamente nada! Pare de perder seu tempo se lamentando ou se vangloriando, você pode estar fazendo mal a alguém assim. Deixe inveja e mal-humor pra ontem, e traga o sol para a praia. Traga belas pernas, um belo biquini e um sorriso encorajador.


A outra coisa que eu queria falar é sobre o amor; à primeira vista, eterno, liberal, doentio... não importa como se manifeste, ninguém nunca o definirá. Então pare de procurar respostas e legendas para seus sentimentos. Apenas os sinta e deixe que te guiem. Muito sábio os que se deixam levar para razão, mas muito mais felizes os que se guiam pelo coração! Toda forma de amor é necessária pra vivermos bem. Toda forma de amor é bem-vinda. Precisamos disso, precisamos um do outro, precisamos do mundo, precisamos de tudo isso. Ninguém é feliz sozinho, mas ninguém precisa se limitar pra sorrir. Seja livre, ame e mude sempre!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

vírgulas, distâncias e um sonho

Sonhei com você,
mas não posso te confessar que sonhei
com você, eu corro perigo de ser,
e não ser
Ao mesmo tempo, que tenho medo,
me perder em você é, um sonho
Com você, é imprevisível
saber se ,já estamos prometidos
há muito tempo, que eu venho sonhando.
Não sei se foram vários
ou o mesmo sonho sonhado todas as noites
não posso dizer,
que sonhei
com você, eu corro mais rápido
pras distâncias parecerem menores
e o tempo, que te prometi,
prometeu pra mim nunca acabar,
seja paciente
porque eu ainda irei te buscar
sonhei com você
e pensei em dizer
pensei em esquecer
mas não conseguiria em nenhum planeta
não acordar sorrindo
por estar com você.

sexta-feira, 30 de março de 2012

afroditiana

Sorriso enorme, cheio de dentes, todos eles bem brilhantes. Lábios bem desenhados e uma forma de brincar balbuciando palavras que transcedem marcas de beijo em guardanapos, com um recado, na mesa de um bar.

Sorriso imenso, cheio de expressões, todas elas bem marcantes. Um sorriso desajeitado, porém bem alinhado, dizendo -Que bom que você chegou, por onde tanto tempo andou, seu idiota?- e eu tentando achar folêgo pra continuar a encará-lo sem desviar o olhar.

E toda vez que espio, vejo que está a me espiar também. Estou a espera de um sinal; talvez um sino ou que você se direcione sorrindo formosa para mim. Então eu irei encerrar esse ciclo, junto com esse texto, informando que essa boca afroditiana, nesse dia me pertenceu.

terça-feira, 20 de março de 2012

parábola



Nunca fui muito fã de museus, obras-de-arte e exposições de quadros. Nunca entendi muito bem todos aqueles movimentos, seus artistas e suas épocas. Detestava aulas de história e literatura, nada naquelas aulas conseguiam prender minha atenção e o meu interesse.

Minha família é uma das mais nobres de Buenos Aires, desde que os avós dos meus avós decidiram investir na fabricação de sapatos, construindo uma das maiores empresas da área no país. Meu pai e minha mãe se conheceram em uma dessas festas beneficentes, sempre via nos olhos dele um brilho igual ao que imaginava quando contava sobre o colar de esmeraldas que minha mãe usava. Paixão a primeira vista - dizia ele. Os dois se pareciam em tudo, e eu em nada com eles.

Certa tarde meu pai chegou com um embrulho enorme em casa, bati os olhos naquele, que parecia, um presente novo para o filho, mas logo reconheci frustração quando espiei a conversa entre meus pais. Minha mãe sorria graciosamente, pousando delicadamente as mãos nos ombros finos do marido que sorria como se ganhasse um prêmio. Ela adorava pinturas, e em Van Gogh ela repousava seu maior apreço, tornando-se um sonho inestimável a aquisição de uma obra autêntica do pintor holandês. Então meu pai a beliscou para que acreditasse no presente que trouxera e juntos riram em uníssono uma risada que ecoava felicidade transbordando a casa.

Fiquei muito feliz, como sempre fico quando vejo que os dois se dão tão bem, mas fiquei com um pouco de inveja, assumo! Sempre recebia muitos mimos, e minha mãe acabara de receber um presente majestoso. Quero dizer, eu também merecia alguma coisa. Durou pouco menos de uma semana para que eu reparasse na pintura e me encantasse.

Hoje faz exatamente 10 anos que os meus pais faleceram em um acidente que virou manchete dos jornais da capital. Me formei em direito, o sonho do meu pai, e hoje moro só. Desde que eles partiram, minha vida deixou de andar nas ruas ensolaradas, e começou a passear em vielas escuras e fedorentas, na escuridão. A única coisa que ainda existia do passado brilhante, era o apego ao quadro que minha mãe ganhou de presente do seu grande amor.

Minha fascinação era enorme, mas meu interesse por artes plásticas, cênicas ou literárias não tinha mudado em nada. Meu caso era único e específico. Depois da década de 80, o Van Gogh chegou a triplicar de valor, muito se ouviu falar da aquisição da minha família e muitas foram as ofertas. Mas eu não conseguia me desfazer, mas eu precisava.

Eu criei feridas e as sustentei abertas para que nunca cicatrizassem. Não fiz questão de curar minha pele. Contanto que eu me acostumasse com aquela dor e ela não fosse mais tão doída, estava tudo bem. Mesmo assim eu sabia que não podia amá-la. Gostava de tudo que ela representava pra mim, fora todos aqueles detalhes impressionantes e toda a beleza da tela. Mas alguém lá fora estava pronto pra recebê-la e amá-la de um jeito que aquela pintura espetacular merecesse.

A verdade é que a minha parede não merecia mais aquele quadro.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

feridas

"Será como se você nunca tivesse existido, como se você nunca tivesse entrado em minha casa e como se eu nunca tivesse invadido a sua vida. As feridas não cicatrizam tão rápido; às vezes precisamos abrir novas feridas pra esquecer outras mais antigas."

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

desempate

Não sei porque você ainda insiste com esses seus joguinhos. Será que você não consegue perceber que eles não são mais necessários? Será mesmo que você ainda não viu que eu já cansei deles? Começou chegando devagar, manteve o ritmo e nem precisou dar bote algum, eu já cai de cabeça em suas armadilhas traiçoeiras e perfumadas.

Você me disse que queria me ter nas mãos, mas já estou aos seus pés! Então me diga logo o que você ainda quer de mim? Quanto tempo falta para acabar esse interminável segundo tempo? Não vejo a hora desse jogo idiota acabar e eu poder te levar logo lá para casa para dar início aos acréscimos; marcar minha volta por cima e sair logo desse empate.

Deixa de arrodeios e esquivas, e me liga pra dizer que comprou o vinho que eu gosto e que ainda está esperando por mim. Eu parei na sua!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

oração

Estou agradecido por ter nascido em ambiente iluminado, florido. Agradecido por ter nascido. Agradecido por ter sido iluminado e por hoje a noite ter te conhecido.

Estou entusiasmado, estou nas nuvens, estou anestesiado. Tento pensar nas palavras que sempre quis ter ouvido, e sou confudido pelas palavras que você me disse.

Estou encantado.

A sorte e o destino finalmente me contemplaram! A hora e o local fizeram-me privilegiado.

Suspiro e respiro.

Uma razão para viver me foi acrescentado quando seus lábios enconstaram nos meus, enchendo meu organismo de alegria. Estou angustiado, conferindo as voltas do ponteiro no relógio, esperando o momento certo para te ligar e dizer que não paro de pensar na mulher que conheci há vinte e quatro horas, e acertar quando disser que você também não consegue parar de pensar em nosso primeiro beijo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

a olhos-brilhantes

Fazendo malabarismos para tentar equilibrar-se com tantas bagagens, ela conseguiu saltar porta a dentro no ônibus. Franziu a testa e esfregou toda a memória para lembrar em qual poltrona viajaria e não precisar tirar a passagem do bolso.

Vinte e cinco! - gritou sua consciência impaciente. Esquivou-se de uma senhora deitada na poltrona com a cabeça virada para o corredor, gingou para um lado e arremessou, como uma alavanca, as malas mais pesadas para o bagageiro em cima da poltrona. Ajeitou seu casaco e respirou bem fundo, procurando um bom motivo para realmente estar viajando para visitar o seu pai, com quem não falava há mais de cinco anos.

As risadas foram bem tímidas, mas não o suficiente para serem repreendidas por uma segunda voz, mais grossa e de tom um pouco menos amigável. Tici estava sorrindo da mulher que, parada a sua frente, viajava com a cabeça nas nuvens, enquanto seu pai ficava cada vez mais embaraçado.

Arremessada de volta para o ônibus, Gabriela caiu em si e deu de cara com o número da poltrona coincidente com o que estava impresso em sua passagem. Era de fato seu lugar, mas na poltrona, estavam enormes buxexas se afogando em um grande casaco de couro, com olhinhos puxados, franjinha e uma pequena janelinha no sorriso.

- Eu falei que esse lugar era de alguém, mas ela insistiu que comprou uma passagem para ir ao meu lado. - disse em um tom de repreensão, enquanto olhos-brilhantes continuava olhando atentamente para a mulher bem vestida a sua frente.
Em um piscar de olhos, a menininha pulou da poltrona para o colo do seu pai, que desculpou-se. Gabriela sentou-se e conversou com a criaturazinha que a encantou em poucos minutos. As duas conversaram sobre maquiagem, bolsas, castelos, bonecas e sapatos de salto alto. Tici falou sobre a comida que seu pai fazia que ela mais adorava, o quanto gostava de cafunés e ainda tentava convencer sua nova amiga, que a vida de uma princesa não é tão fácil quanto todos pensam.

Tici já estava acomodada em cima dos dois quando dormiu. André desculpou-se mais uma vez, mas a mulher que acabara de conhecer, só conseguia pensar na sorte de ter conhecido duas pessoas tão encantadoras.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

sinta se leve se sinta

desate o nó da gravata, tire o paletó e desalinhe essa camisa. largue um pouco seus livros sobre direito constitucional e deixe um pouco de lado essas conversas mascaradas sobre política ou sobre economia.

saia de casa com o mínimo que puder. uma bermuda e uma sandália, poucas idéias na cabeça, e esteja pronto para mudar de opinião, esteja pronto para conhecer alguém e se apaixonar por uma noite. esteja pronto para fazer novos amigos e rever os bons e velhos. saia de casa. feche o que estiver vendo no computador (menos esse blog), desligue a televisão no jornal matinal e acorde seu filho com um milhão de beijos.

não esqueça de passear com o cachorro e de ligar para aquela sua tia que você gosta tanto. fale com seus pais, que são o bem mais precioso que você pode ter na vida. saia de casa pronto para perdoar e aceitar desculpas. saia de casa para fazer o bem, mesmo que você curta várias ondas diferentes, a onda maior é o amor. saia pronto pra amar, e não tem essa de deixar o ódio e a falta de educação em casa, saia de casa com ele e os transforme em tolerância e paciência, porque a escuridão é simplesmente a ausência de luz.

saia de casa, mas antes de sair, faça uma oração! não importa sua religião, contanto que ela te mantenha no caminho da luz, mantendo a linha da paciência firme, está valendo. mesmo assim, com todo o respeito, ainda te digo: Deus quer você ao lado dele!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

quase amor

lembra daquele porta-retrato dourado, que hoje já não porta mais nenhuma foto? eu te dei de presente porque você se apaixonou por aquela moldura dourada e todos aqueles detalhes que te lembravam o nascer do sol na fazenda do seu pai. toda aquela nostalgia, toda aquela magia que nos envolvia, todo aquele brilho... eu não sei onde começou a dar errado.

vejo as suas fotos recentes, percebi que você ainda usa o penteado que eu adorava, usa o vestido que te dei no natal que passamos com sua mãe e percebi também que você tem cuidado muito bem do cão que compramos juntos. mas não fui eu quem tirou essas fotos, nem sou mais o motivo dessa irradiação que o seu sorriso continua sendo.

lembro de cada detalhe das tardes que ganhávamos do tempo, multiplicando risadas e caras emburradas. brigávamos tanto, e fazíamos as pazes mais vezes ainda. você com os dedos inquietos sempre com o celular na mão, ou falando sem parar sobre o próximo show que haveria na cidade. lembro de tantas coisas pequenas, lembro de tantos sentimentos enormes. não sei se foi amor, mas era tão cômodo e satisfatório. era seguro e solto ao mesmo tempo.

intensidade e liberdade. tudo que você sempre quis e encontrou em mim. não sei o quanto faltou para o amor, não sei quanto faltou para o felizes para sempre. e eu achando que pegar ônibus até sua casa era uma enorme prova do quanto queria estar contigo, ou sair noite a fora atrás do maluco do nosso cachorro que fugiu enquanto você ouvia sua mãe reclamar da bagunça do seu quarto.

não sei onde a gente se perdeu, porque eu me perdi no meio de toda essa confusão. parece que foi ontem que você esteve aqui nos meus braços.