terça-feira, 30 de novembro de 2010

É tudo questão de lógica

pensando eu ser humano e estar sob condições da minha própria natureza, então pela linha da lógica, sou simplesmente o que nasci sendo, desde que eu me entenda por homem. certo? a lógica é caminho incontestável para a condução dos fatos até chegar a uma conclusão. você quem escolhe os fatos e quem tira a conclusão, tudo isso ligando uma coisa com a outra, o que acaba se tornando óbvio, lógico.

pensando eu ser humano e sabendo de todas as diferentes vertentes que vão do pensamento até as ações da espécie, posso observar com clareza muitos que se usam da lógica para persoadir e convencer outros iguais a pensarem igual.

sou da espécie humana e conheço os outros semelhantes a mim. conheço e vejo também muitos que atiram fora a lógica e contrariam todos os pensamentos bons e consciências coletivas em prol de um bem-estar individual, que vai de coisas grandes como: políticos que assaltam, empresas que desmatam a floresta sem fazer o reflorestamento, pessoas que sonegam impostos, governantes que não olham pelas classes sociais desfavorecidas; até as coisas menores: como motoristas que não respeitam ciclistas, pessoas que não se respeitam no trânsito, indivíduos que poluem mangues.

a lógica existe. isso é inegável. mas ela não existe para ser manipulada nem manipuladora, ela existe para facilitar e não para complicar. pensar de uma forma ilógica e agir de uma forma estúpida é algo repugnante, mas existe também formas ilógicas de serem pensadas que não contrariam e nem afetam o bem-estar social. coisas como sentimentos saudáveis e recíprocos são bons exemplos da falta da lógica e da razão, mas que mesmo assim ainda faz bem a muitas pessoas.

existem várias formas de pensar. muitas outras possibilidades de agir. lógica ou ilogicamente seria interessante se todos os semelhantes se tratassem com o respeito que todos queriam ser tratados. acima de qualquer status de pensamento, somos iguais e merecemos ser iguais, ninguém é melhor do que ninguém. se todos fomos feitos iguais, viemos de concepções parecidas e temos o mesmo passado, não existe lógica que contrarie a igualdade entre nós. por isso derrubo toda e qualquer forma de 'supremacia da raça branca' proposta por nazistas ou até formas de preconceito como o apartheid.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Vamos bater um papo

estamos conversando e sua opinião é diferente da minha. o que faremos agora? você me olha desconfiado, eu te olho meio de lado. você aí, eu aqui. suas palavras soam como desafios, suas perguntas vem afiadas. minhas palavras são retranqueiras, minhas respostas são rápidas e menos ofensivas. a discussão continua. não estou com raiva de você, nem você está com raiva de mim. é apenas uma conversa com duas verdades. uma pra mim e uma pra você. é como se eu visse uma parede verde e você viesse me dizer que a mesma parede que vejo tem a cor diferente da que reconheço, você diz ser azul. eu vejo verde e você vê azul, a mesma parede, a mesma cor e duas verdades.

várias hipóteses sobre as proporções e dimensões dessa nossa prosa. você pode ter sido criado e educado de uma forma diferente da minha, onde valores são os mesmos, mas o que pensamos dele são coisas diferentes. a cor verde na sua família é chamada de azul, ou na minha família o azul foi apelidado de verde, por pirraça ou por ignorância, seja lá o que tenha sido.

vai ver minha vó ou o seu avô eram dautônicos, e aí o gene recessivo manifestou-se e interferiu em nossos argumentos. conturbaram e causaram toda essa confusão. você bate o pé e eu finco bandeira sob aquele território. sei que não sou louco, apesar do pouco de lucidez que me resta, sei que ela ainda está presente, então não vou no final dizer que tudo bem, aquela porra daquela parede verde é azul mesmo. sei o que estou vendo.

e se estivermos nós dois errados e em qualquer canto do universo, a cor que está estampada na parede é simplesmente vermelha e não tem nada a ver com verde ou azul. estaríamos a beira da falência moral de nossa própria pré-potência e mesmo assim se depois de tudo víssemos que a parede não era da cor que estávamos vendo, íriamos dizer um 'que se foda', voltar a beber e esperar outro assunto intrigante...







PS: cores e paredes nunca foram meu forte, são apenas uma 'analogia'

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A lenda dos sete mares II - A Noite Sem Fim

era inverno. não era diferente dos outros invernos, nem especial. nada de bom acontecera em mais uma estação gelada em que o capitão e sua tripulação navegavam pelo desconhecido. orgulhoso e radiante, a figura mais importante naquele navio comandava com empenho e dedicação seus subordinados, que eram tratados como irmãos. todos os ventos estavam a seu favor, todo o universo parecia conspirar para que todas as suas aventuras sempre acabassem bem. estava muito frio, como todos os outros invernos. havia muita neblina por todos os lugares, e isso afastava um pouco os corsários e capitões rivais. então o inverno costumava ser uma época tranquila, costumava...

quase todos estavam dormindo à espera do sol que deveria nascer no horizonte perdido indicando a direção para a tripulação, mas o sol não havia saído, e nem o faria por uma semana. uma semana que durou anos. uma semana de plena escuridão.

nenhuma criatura nem nenhum pirata, o mais louco que fosse, ousaria desafiar aquela embarcação, mas aquela situação sim era diferente. Poseidon era muito egocêntrico e não estava gostando nada de perder o título de majestade no mar para um simples mortal, isso tudo o incomodava por décadas. "como assim? quem esse capitãozinho e esse naviozinho de madeira acham que são? eles acham que são melhores que um deus?"

o sol não ter aparecido não foi um aviso, foi o inicio do que estava por vir. tempestades, chuvas fortes, ondas gigantes. tamanha instabilidade que garantiria a morte e naufrágio de qualquer navegação no mundo, menos aquela. muitos prefeririam não ter vivido aquela semana, mas viveram e sobreviveram. o sol voltou a brilhar em um continente distante. eles finalmente acordaram daquela noite que perdurou por sete dias e festejaram a vida em terra firme. o capitão e sua tripulação realizaram mais um grande façanha e sobreviveram a ira de um deus enfurecido e frustrado. "ele deveria trocar aquele tridente antigo por um mais moderno." - zombava com a própria sorte o capitão.

na terra onde desembarcaram encontraram água potável, alimentos frescos e muitos admiradores. muitos jovens ouviam as histórias e enquanto todos diziam não passar de lendas, eles acreditavam com muita fé em tudo. por onde passavam eram recebidos com muita festa. muito vinho, muita música e muitas mulheres. todos os homens do capitão se divertiam, menos ele. sempre sério, muito prestativo, mas sempre com a face indiferente, com um meio sorriso que parecia ter sido escupido. suas mãos calejadas e seu coração gelado não estavam preparados para o que iam encontrar...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A lenda dos sete mares

os meses dele não tinham semanas, as semanas não tinham dias e nos dias, de nada valiam as horas. as únicas coisas que tinham importância para ele, eram as estrelas que serviam como bússola e o vento que decidia a velocidade da sua embarcação. ele era uma figura imponente, grande como um armário, pele queimada do sol, olhos grandes como dois diamantes azuis, cabelos e barba pretos como a noite e um ar de quem já percorrera os sete-mares, enfrentara mil criaturas marítimas e sobrevivera a cada um dos infinitos perigos encontrados mundo a fora. não tinha uma perna postiça de madeira, nem andava com um tapaolho, muito menos com um papagaio no ombro.

sua tripulação era composta por homens de várias partes do mundo, em cada porto que paravam, mais homens destemidos se juntavam a todos aqueles prisioneiros da própria liberdade. muitos tinham tudo e largavam o que tinham para viver a liberdade e a emoção que corria-lhes na veia. abandonavam tudo por amor ao mar e ao desconhecido. muitos daríam a vida por aquele capitão. ele e sua tripulação já eram um só e a casa deles era o mundo inteiro, no mar, quem mandava eram eles.

o rei dos mares, como ficou conhecido, era admirado e temido por todos os quatro cantos da terra. criaturas marítimas se escondiam no fundo do mar, corsários preferiam afundar os próprios navios e cidades faziam festas que duravam 7 noites por onde ele passava. tinha um sorriso de prata combinando com os anéis que cercavam-lhes os dedos. era um cara humilde, tinha o coração grande como os oceanos e duro como pedra. mas um dia tudo aquilo iria mudar, e mudou...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Ocular

vigiando com o canto do olho, eu estava atento. mesmo com todo aquele escuro fora do quarto e com a minha atenção comprometida, eu estava atento. nada escapava ao meu campo de visão. ao decorrer do tempo, madrugada a dentro, meu sono ia desaparecendo. o dia já estava clareado, os pequenos buracos na janela deixavam escapar os primeiros raios de sol que entravam pelo corredor e batiam na porta do meu quarto entreaberta, esquentando-o e anunciando que um outro dia tinha começado. esse era o meu relógio. todos os dias, tudo isso se repetia. todos dormiam, eu continuava acordado. escrevendo, cantando, compondo, sorrindo, respirando. a sensação de paz tomava conta de mim, ficava bem comigo mesmo sem precisar de influência nenhuma que ultrapassasse os limites do meu quarto.

eu queria continuar descrevendo coisas bonitas e interessantes que acontecem na madrugada, mas o que meus olhos gravavam todas as noites, eram essas outras coisas. queria eu poder dizer que tudo isso não passava de um engano, que enquanto eu pensava que estava acordado, estaria apenas sonhando. mas não. era verdade, dava pra sentir aquele calafrio.

vigiando com o canto do olho, eu estava atento. mesmo com todo aquele escuro fora do quarto e com a minha atenção comprometida, eu estava atento. nada escapava ao meu campo de visão. sempre ia tudo bem. não que eu esperasse acontecer, mas acontecia. não todos os dias, nem todas as horas, mas com frequência eu via. não tenho certeza das formas, mas te digo com precisão todo o gelo que cai sobre mim toda vez que vejo. a paralisia constante dos meus membros e as impossíveis e frustradas tentativas de pensar em algo rápido. vejo algo obscuro, dentro e fora de mim. passando pelos corredores, parado no canto da cozinha, passando por de trás de mim, aqui, ali, antes, agora. vejo o reflexo do que penso, e tenho medo da reflexão do que vejo. tenho medo do que vejo. medo das sombras, do escuro...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Polivalente

polivalente, sou tudo o que te faz bem. posso ser seu sorriso, posso ser sua mente. sou no amanhecer tudo o que você quiser. sou sua alma crescente na lua cheia de esperanças e que, com o coração na mão, espera atenciosamente a hora em que você abra a porta e apareça para mim, assim como o amanhecer, como o sol que ilumina a tudo e a todos.

vou me ajustando aos seus braços que comandam toda a água do oceano, vou me acomodando em sua mobília e me tornando indispensável. seu jeito presente torna ausente os problemas que estaciono lá fora antes de passar pela porta que nós decoramos todos os anos no natal. seu sorriso aquece o chocolate quente em cima do centro da sala de tevê. o sofá nos cabe perfeitamente, suas pernas que te trazem até aqui são as mesmas pernas que agora estão sob os meus cuidados, enquanto você tira um coxilo depois de tentar salvar todo o mundo acolhendo-o sob seu próprio zelo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Perto da loucura

abro os olhos e os volto para dentro de mim. a situação está tensa e o clima pesado. lembro-me com clareza de dois momentos, no primeiro estou prestes a explodir por dentro. cada uma das minhas células pareciam se contrair em cada um dos musculos que se agitavam em cada um dos membros, e as mensagens nervosas não partiam mais do meu cérebro. corria por minhas estranhas entranhas e nervos, comandos vindos de alguma área obscura. no segundo momento estou ofegante e confuso. estou gradativamente voltando a ser o que sou, estou tomando de volta o controle.

sabemos o que somos quando sabemos até onde podemos chegar e como chegaremos até lá. saber lidar com a situação, saber se controlar... tudo isso envolve o mesmo tema, tudo isso inclui sua forma de pensar, e é a forma bruta, não-lapidada. você não está sendo o que quer que os outros vejam que você é, você está extraindo de você mesmo aquilo que lá dentro você abriga ser. não que a situação é quem determina quem você é, mas como você age em cada uma delas sim.

a loucura e a insensatez são estudadas para o entendimento da mente humana quando ela nos prega peças. mas devemos entendê-la para nos conformarmos ou entendê-la para nos conhecermos e aprendermos a nos tornar o que queremos ser? perguntas que regem buscas e até um estilo de vida a ser levado. questões são importantes para guiar o que pensamos, são importantes para determinar o que queremos ser. eu sei as perguntas que quero achar as respostas. eu sei a vida que quero ter. e você? sabe o que quer?

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A pequena antítese

ele assassinou os restos do sentimento alojado em seu peito, impregnado como um mau cheiro que toma a casa que a porta está aberta. ele dera fim a toda aquela angústia e a todo aquele sofrimento. claro que o que envolvia aquele sentimento não eram só essas lembranças escuras, existiam muitas lembranças boas, mas ele tratou de apagá-las também. ele matou o amor que gritava em suas entranhas, que ditalava suas pupilas e que bombeava o seu próprio sangue. e não foi a falta de vida que lhe ocorreu depois de tanta carnificina, ele conseguiu sua vida de volta. conseguiu respirar sem depender de um outro coração colado ao seu. conseguiu caminhar sem tropeçar em algum tipo de pensamento conflitante típico de um relacionamento instável. ele renasceu.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Clichê ou não

depois que a situação havia passado, foi que me veio à cabeça o ocorrido. às vezes precisamos de um tempo para que nossa mente assimile coisas ditas há tempos atrás com coisas recém-ocorridas. mais do que ninguém, eu penso - e gosto - de pensar que coincidências não existem, que fatos isolados ou interligados ocorrem por acaso às vezes, mas que na grande maioria elas tem um motivo para acontecer. quando costumo expôr essa minha forma de pensar, muitos a taxam de clichê ou simplesmente não concordam. tudo bem. escrevo essa história hoje também para os que compartilham da mesma opinião que tenho, mas escrevo, mais ainda, para os que não concordam.

ontem eu estava em um determinado lugar esperando por alguém. em pé e do lado de fora, apoiado na parede e abaixo do sol do fim de tarde. tinha acabado de acordar e tomar um banho pós praia, estava muito bem comigo mesmo, talvez por isso não tenha reclamado em esperar um pouco a mais do que o planejado. tinham outras pessoas perto de mim, umas esperando também, outras passando... mas o que me chamou mesmo a atenção, foram as duas pessoas que estavam ali na rua mas não estavam nem esperando alguém, nem passando, apenas estavam ali e por ali mesmo iriam ficar.

pai e filha. ela estava esparramada em uma cadeira de plástico e ele fazendo malabarismo, cuidava da filha e dos carros em troco de algum reconhecimento em míseras moedas que não passavam sequer de um real.

antes de tudo isso acontecer, quando eu estava a caminho no carro de minha mãe, estava discutindo com ela sobre o meu futuro, sobre como tenho que chegar a uma vida estabilizada pra depois correr atrás do que eu quero, diferentemente de um médico. ela com a visão superprotetora de mãe e eu com as falas enroladas e com a habilidade de desviar das suas investidas. coisas como 'você é muito inteligente mas não sabe usar essa inteligência', 'você tem que correr atrás do que você quer' e 'acorda pra vida' estavam na pauta de falas dela. ainda conversamos muito mais sobre o meu futuro.

jogando-nos de volta àquela cena. eu estava pensativo sobre tudo o que minha mãe tivera me falado, quando, escuto uma voz bastante alta, alta o suficiente para perceber que não era a minha consciência. a filha daquele homem tinha acabado de torcer o pé, ele perdera um trabalho por causa disso e ainda teria que ficar a noite inteira com ela. muitos, no lugar dele, estariam revoltados com tudo isso e culpariam a todos, principalmente à Deus. mas não. as palavras que saíram da boca dele, falavam coisas simples sobre o futuro. sobre os esforços que fazia no presente e que teriam que surtir algum efeito no futuro da filha dele. que ela tinha que estudar e que tinha que correr atrás, que ela era inteligentíssima para uma menina de 5 anos mas que às vezes esquecia desse potencial. eu ouvi tudo atentamente e até cheguei a conversar com a menina. ela tinha olhos grandes e escuros. o cabelo tinha cachos enormes e bonitos que se a luz do sol batesse, revelaria um castanho claro e refinado. tinha a pele da cor da noite e um sorriso muito firme. constatei o que o pai dela tinha me dito, ela era sim inteligente, muito até.

incrível como dois fatos distintos e aparentemente isolados se encaixam em um contexto desfavorável para um 'clichê' tão grande quanto o meu. acredite ou não, muitas coisas na sua vida ainda vão acontecer, e muitas delas vão acontecer por um propósito. o que você tem a fazer é simplesmente se abrir para os acontecimentos, se jogar e tornar-se sensível para com o mundo ao seu redor. tudo isso aconteceu mesmo, só esqueci de perguntar o nome daquela garotinha inteligente...