sexta-feira, 25 de novembro de 2011

distância

eu penso em você no final da tarde, quando costumo ler historias de romance. eu penso em você a noite, quando vejo um clichê americano que tenta me dizer o quanto eu seria feliz se estivéssemos juntos. eu penso em você durante toda a madrugada, no anseio de um sinal de vida seu, a espera de um remédio que me cure essa saudade, ou de doses mais fortes desse contraditório veneno, para que a loucura me tome por completo de uma vez por todas.

o sol já vem nascendo. um novo dia vem batendo a minha janela e eu só penso no quanto toda a a natureza é bela e cruel. fez rios colossais, montanhas gigantescas, ondas perfeitas. céu no estio pros meus domingos ensolarados e chuva pros vazios dentro do meu peito. mas a maior, e a mais dolorida criação, ela fez propositalmente pra mim. fez parecer acidente, mas no fundo eu sabia, que tamanha coincidência no mundo nunca há de existir. você foi feita pra mim. e não há quem duvide. eu penso em você o tempo todo, e tenho pensado que você estaria muito melhor aqui do meu lado!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

jogo fácil, jogo rápido

chocolate quente e filmes da sessão da tarde era o gosto que tinham os nossos encontros, tão desajeitados e acomodados no sofá da sua casa, ríamos das roupas que sua irmã mais nova colocava e desfilava como se fosse uma modelo, de apenas 5 anos.

a chuva era a primeira certeza do dia, em seguida o despertar. era dificil distinguir dia e noite, cedo e tarde, o tempo era igualmente nublado por vinte e quatro horas. a certeza subsequente era que estaríamos juntos, não importa o diluvio que fizesse em frente a minha casa, sempre dava um jeito de ir te ver, agasalhado e protegido contra o resfriado.

não forçamos a alegria, não forçamos nada. entre as paredes da sala de televisão, não importava qual a programação ou o tempo la fora, pra nós era sempre final de campeonato na tv e o sol mais bonito de todos lá fora, porque pra nós dois, cada dia daquela férias que passamos juntos, era o dia mais feliz das nossas vidas. quando ele acabava, vinha outro "dia mais feliz das nossas vidas".

estávamos dispostos e satisfeitos. motivados a nos modelar um ao outro, tantono jeito, quanto nos defeitos. ajustar de um lado para consertar em outro. eramos confidentes e amantes, sorridentes e cantantes. eramos o sol e todas as constelações, eramos tudo um para o outro.

os dois sabiam da necessidade de se aproveitarem. o inverno era a unica estação que eles tinham para se ver, e ele estava chegando ao fim.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

não é por acaso

então ela desmoronou. as circunstâncias não tomaram conhecimento de sua grandiosa majestade. formosa e caprichosa, a linha do tempo foi subestimada e desmontada em vários pedaços que se perderam e até se confundiram. a situação que amansou a fera e transcedeu a credibilidade da realidade era única. coincidência nunca existiu, aparências sim, mas não é o caso. elas não se pareciam. elas eram idênticas. o que é de se esperar quando se tratam de mãe e filha, mas nada no universo era tão assustador quanto essa preciosa semelhança.

o universo e seus acontecimentos, que aleatorios se cruzam e colidem como meteoros que invadem atmosferas mil, falecendo em um brilho único. único como a sensação que me vinha aos olhos, toda vez que as estrelas dos meus globos oculares colidiam o seu rosto minuciosamente perfeito. tão linda, tão valiosa, tão igual. dois cometas que entraram na minha atmosfera. o primeiro há mais de 30 anos atrás. e outro agora. mas esse não passou e espalhou cores no céu; ele veio de encontro a superfície, sem pena. o universo desviou aquele astro de outras galaxias distantes e arremessou direto em minha direção.

não conseguia suportar a dor da morte. não conseguia sustentar em minhas costas, dores tão profundas. e aquele pequeno suspiro de vida não me deixava respirar como antes, fazendo com que meu peito apertasse e torcesse de um lado para outro, me fazendo suplicar para não me afogar em meu próprio lamento. choro a saudade e choro a dor que aquele rosto me traz. talvez os astros maiores tenham conspirado e a trazido de volta para me atormentar. enquanto uma estrela apagava-se, a outra acabava de nascer. como se todo o brilho se transferisse de uma pra outra, e nessa confusão, o brilho das estrelas em meus olhos se perdeu em algum lugar.