domingo, 31 de julho de 2011

La fontana dei desideri

Cecília e o amor. poderia ser um livro cheio de crônicas, todas cheias de diferentes histórias encantadoras e finais iguais. ela esteve por todo o mundo, viveu amores em todas as estações do ano, mas adorava mesmo o inverno e a Itália. adorava pintar as unhas com cores discretas, milhares dela. adorava cantar e tocar piano, se encantava com programas sobre animais e amava demais.

ninguém no mundo está a altura de Cecília. já que contei, todos agora sabem, menos a própria. ela sempre se entregou a paixões, mas nenhuma delas a merecia. seus olhos são repletos de poesia, encantadoras estrofes e refrões inteiros de uma harmonia. ela sabia tudo sobre o amor, pesquisou em filmes, livros e histórias que ouvia. histórias essas que começaram a ser colecionadas por ela ainda na barriga da mãe. seu pai as contava e desde cedo ela foi cercada pela maior variedade de contos, e adorava principalmente os românticos. amava todas as histórias que ouviu da infância até os 15 anos, quando seu pai morreu de câncer. Cecília nunca esqueceu a última história que ouviu enquanto ele ainda estava no hospital.

(...)

jogou duas moedas enquanto esfregava os olhos secando as lágrimas. esboçou um sorriso em meio a um pequeno choro e suspirou. veio logo a tona uma imagem alegre de seu pai contando sobre a fonte dos desejos. então finalmente foi procurá-la. desejou que todas aquelas histórias de romance que ela mesmo viveu acabassem. se não fosse pra viver um final feliz, ela preferia ser feliz sozinha. foi sua ultima tentativa, Cecília e seu coração não se entendiam mais. mas essa história que vos conto não é mais uma triste, não poderia ser. durou 2 semanas. a fonte dos desejos ficava na Itália, ela se mudou para o lugar onde viver viver e sonhar se confundiam. só faltava algo na vida dela. pronto, não faltava mais.

Bernardo estava na cidade para visitar a avó italiana. adorava o café da esquina do hotel onde ficava. foi lá onde começou a última história de Cecília, que até hoje continua a ser contada. ela desejou um amor firme e real. ela não planejou, apenas jogou as moedas e acreditou no seu desejo, acreditou que merecia viver um final feliz. ele pediu a conta e quando o garçom trouxe o seu troco acabou tropeçando e deixando cair várias moedas no chão. ele prontamente ajudou a catá-las enquanto o garçom ria sem graça. enquanto tentava se desculpar em um italiano enrolado, Bernardo já estava atraído por tanta poesia naqueles olhos que o acertou lá no fundo. Cecília estava apenas devolvendo uma moeda e ele estava devolvendo as esperanças que ela vive no amor até hoje.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Aos bons

Venho primeiramente, e antes de tudo pedir licença, uma a Deus porque o assunto não é dos melhores, e outra ao Rafa que me concedeu o blog pra postar em um momento de loucura, mas vamo lá.
Amanheceu, e nada era igual, não que tivesse saído do lugar, mas simplesmente já não havia mais lugar. A vida. O que ela significa pra você, ou pra eles, ou pra nós? As mesmas respostas pras mesmas perguntar, e como sempre estagnados no mesmo mistério. No caminho que traçamos, escolhemos, pensamos, vivemos e talvez até aprendemos, mas ultimamente as maiores lições que vejo são as que eu não sou nada, e que os bons nem sempre estarão conosco.
Amigos, parentes, ou apenas distantes, mas que nos chocaram por não acharmos que era a hora do "adeus" e se foram. Já não se vive mais como era de costume, a alegria transbordante de um sorriso falso e amarelo, todos percebem que é falsa, e a força do homem na rua, é o choro de saudade do menino em casa.
Não sou poderoso, vim do pó e sei que a ele retornarei, e mesmo que fosse não julgaria. Olho pro céu, com coração apertado, saudade daqueles que se foram... O que ficou? A essência, as memórias, o sorriso, a ausencia, todos que já tiveram perdas na vida, nesse momento estão me entendendo... Aos bons, que foram cedo, meu humilde adeus e minha promessa de fazer valer meus dias em nome dos seus, e que sempre se faça presente aquilo que nunca se foi: Nossas histórias, as verdadeiras imortais!

Vinícius Felizola

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Qual é a sua?

qual é a sua?
que passa e me provoca
e depois finge que nunca me deu bola
que disfarça olhar, menospreza elogio
dá de ombros para os queixos que caídos
caem quando você passa.

inquietamente deslumbrante
não consigo ver nenhum defeito
não ouso procurar com anseio
mas o que haveria de procurar
quando o que se mais dificil de achar
já estaria acomodado em minha memória.

para os meus versos és razão
para as minhas noites mal dormidas: indecisão
sobre o que melhor pensar
sobre o que você quer de mim, adivinhar
qual é a sua?
eu já sei do que gostas
das músicas que te fazem dançar
dos filmes que te fazem chorar
eu te falo as coisas que sempre quis ouvir
e ouço quando ninguém quer te escutar.

onde as horas estariam?
voando ao nosso redor estão
e você de proposito anunciria
quando elas já tocassem o chão
e diz o quanto bobo eu seria
se te pedisse pra ficar
implorando que recitasse
o que quis tanto escutar
de alguém com paixão
mas ninguém lhe deu atenção


qual é a sua?
sei que não queres nada
mas sei que posso ser tudo
sonho com você toda a madrugada
e que tudo isso um dia seja verdade
e que a verdade seja mt mais
e que mt mais sejam mais sonhos
e que mais sonhos sejam a realidade
e que a realidade seja você!
vou te ver passar mais uma vez
te escreveria uma carta
para ser enviada daqui há alguns anos
e me desafiaria
se soubesse onde você moraria
apostaria que onde você estivesse
feliz estaria
e a carta leria
com contente sorriso ao seu lado
e todo o motivo parecesse óbvio
e esse cara seria eu.
apostaria.
se eu soubesse, o faria.
se eu soubesse qual é a sua.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Mil por hora

eu tava onde deveria estar. ela veio andando e falando bem rápido, à companhia de sua mãe que escutava com paciência os caprichos da filha enquanto carregava uma radiografia do hospital próximo ao terminal onde estávamos. tive a sensação de já ter ouvido aquela voz. o sol refletia nos meus óculos escuros, fazendo eu inclinar um pouco a cabeça para baixo. então assim que ouvi a voz, prestei atenção nos pés, dedos delicados e uma pele branca, quase transparente. a medida que se aproximava, mais chamava a minha atenção. roupas discretas que nada combinavam com o tom de sua risada. inclinava a cabeça para trás, fechando os olhos minuciosamente enquanto mostrava aquele belo sorriso. cabelos cachados e dourados lembravam a minha primeira paixão, vivida aos oito anos, eu acho.

não consegui olhar em seus olhos. o ônibus chegou e entrei rápido, atentei-me para procurar um lugar perto da janela, queria distrair-me antes de chegar ao meu destino. sentei-me. senti uma presença suave ao meu lado, parecia apenas uma brisa de aroma que se tornaria inconfundível. ouvi sua mãe chamar por seu nome ao pedir para segurar suas bagagens. Carol. quinze anos depois. por onde ela andou? o universo estava ajudando com o nosso reencontro e nos dando uma segunda chance. ela continuava linda, e ainda tinha um rosto de criança, de um anjo.

decidi virar o rosto e olhar para ela fixamente, foi quando me dei conta de que ela já estava esperando enquanto olhava pra mim com um sorriso de derrubar humores tristes e de ensolarar dias chuvosos. não consegui falar nada, só esbocei um sorriso desengonçado. foi quando ela desfez o sorriso, articulou os lábios e disse o quanto eu estava incrivelmente diferente, mas que teve a certeza de que era eu mesmo quando abri aquele sorriso tronxo que a fazia ficar sem graça. tentamos colocar os assuntos em dia, mas não tivemos tanto tempo. ela teve que descer no ponto seguinte ao meu pedido. consegui o número do celular dela e prometi ligar por algum dia. enquanto sua mãe tentava atender o telefone, Carol atravessou a avenida olhando para a janela do ônibus que eu me escorava para vê-la melhor. quando ela conseguiu me ver, levantou os braços e acenou para mim, foi quando tudo foi interrompido por um carro que vinha na direção contrária e invadiu a contramão. ali vários sorrisos foram desmanchados. ouviu-se muito choro, gritos e sirenes. meu coração acelerou enquanto mais uma história estava sendo interrompida.