quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

sinta se leve se sinta

desate o nó da gravata, tire o paletó e desalinhe essa camisa. largue um pouco seus livros sobre direito constitucional e deixe um pouco de lado essas conversas mascaradas sobre política ou sobre economia.

saia de casa com o mínimo que puder. uma bermuda e uma sandália, poucas idéias na cabeça, e esteja pronto para mudar de opinião, esteja pronto para conhecer alguém e se apaixonar por uma noite. esteja pronto para fazer novos amigos e rever os bons e velhos. saia de casa. feche o que estiver vendo no computador (menos esse blog), desligue a televisão no jornal matinal e acorde seu filho com um milhão de beijos.

não esqueça de passear com o cachorro e de ligar para aquela sua tia que você gosta tanto. fale com seus pais, que são o bem mais precioso que você pode ter na vida. saia de casa pronto para perdoar e aceitar desculpas. saia de casa para fazer o bem, mesmo que você curta várias ondas diferentes, a onda maior é o amor. saia pronto pra amar, e não tem essa de deixar o ódio e a falta de educação em casa, saia de casa com ele e os transforme em tolerância e paciência, porque a escuridão é simplesmente a ausência de luz.

saia de casa, mas antes de sair, faça uma oração! não importa sua religião, contanto que ela te mantenha no caminho da luz, mantendo a linha da paciência firme, está valendo. mesmo assim, com todo o respeito, ainda te digo: Deus quer você ao lado dele!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

quase amor

lembra daquele porta-retrato dourado, que hoje já não porta mais nenhuma foto? eu te dei de presente porque você se apaixonou por aquela moldura dourada e todos aqueles detalhes que te lembravam o nascer do sol na fazenda do seu pai. toda aquela nostalgia, toda aquela magia que nos envolvia, todo aquele brilho... eu não sei onde começou a dar errado.

vejo as suas fotos recentes, percebi que você ainda usa o penteado que eu adorava, usa o vestido que te dei no natal que passamos com sua mãe e percebi também que você tem cuidado muito bem do cão que compramos juntos. mas não fui eu quem tirou essas fotos, nem sou mais o motivo dessa irradiação que o seu sorriso continua sendo.

lembro de cada detalhe das tardes que ganhávamos do tempo, multiplicando risadas e caras emburradas. brigávamos tanto, e fazíamos as pazes mais vezes ainda. você com os dedos inquietos sempre com o celular na mão, ou falando sem parar sobre o próximo show que haveria na cidade. lembro de tantas coisas pequenas, lembro de tantos sentimentos enormes. não sei se foi amor, mas era tão cômodo e satisfatório. era seguro e solto ao mesmo tempo.

intensidade e liberdade. tudo que você sempre quis e encontrou em mim. não sei o quanto faltou para o amor, não sei quanto faltou para o felizes para sempre. e eu achando que pegar ônibus até sua casa era uma enorme prova do quanto queria estar contigo, ou sair noite a fora atrás do maluco do nosso cachorro que fugiu enquanto você ouvia sua mãe reclamar da bagunça do seu quarto.

não sei onde a gente se perdeu, porque eu me perdi no meio de toda essa confusão. parece que foi ontem que você esteve aqui nos meus braços.