segunda-feira, 23 de maio de 2011

Resumo em três partes

A QUEDA
rasgou o céu proporcionando um espetáculo aos casais que namoravam debaixo de tamanha exuberância, e caiu em terra firme. milhões de anos viajando por espaço sideral, universo a fora estava a deriva sem destino até encontrar um lugar para acomodar-se. encantou uma longa lista de gerações de pessoas enquanto brilhava majestosa e cintilante, esperando por seu derradeiro fim marcado por uma grande explosão. mas não. diferente ela sempre foi, nasceu assim. diferente ela sempre será, nunca morrerá.

tomou forma. tornou-se magnifica. bastou acomodar-se em desconhecidos ares e acostumar-se com a -nova- vida. ela precisou morrer para viver. Ester, que significa o que fora em vida passada, estrela.


O OUTRO LADO
normal vermos casais e final felizes em histórias e contos de amor, mas sabemos que a realidade distancia-se um pouco desse caminho. Adriano e sua namorada já não se entendiam e brigavam sem parar. já não se conheciam. mesmo assim, ele sempre soube que ela era o grande amor de sua vida e lamentava-se muito, mesmo que a culpa não fosse sua, se atirava em arrependimento profundo ancorado pelo sentimento de culpa.

morava em uma casa um pouco afastada da cidade que mais parecia com um sítio. gostava de esticar-se na rede e tocar violão enquanto observava as constelações, nomeando-as uma a uma, da forma que sua mãe o ensinara. gostava especialmente de estrelas cadentes, e em toda sua vida já tinha visto dezenas delas, mas nenhuma igual a que viu naquele dia.


INTERSEÇÃO
para a palavra destino, encontramos infinitos significados e infinitas definições, interpretações e crenças diferentes, mas nenhuma delas engloba ou estaria preparada para tal situação decorrente. na mesma velocidade em que a estrela caiu, o coração de Adriano parou assim que se deu conta do que seus olhos estavam vendo. amor à primeira vista ou amor de outras vidas, não se sabe, não se arrisca dizer, só não se atreva a dizer que isso não aconteceu. ele conheceu, se apaixonou e conquistou Ester, que já não era mais uma estrela, mas ainda brilhava da mesma forma.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Semi-conto de amor desordenado

a tenho em minha mente, e como não a teria? simplesmente tenho e só assim posso tê-la. tentamos criar oportunidades, mas sabíamos que quando não é pra acontecer, não acontece. talvez tenha sido por isso que ainda és tão especial pra mim. histórias de amor com 'felizes para sempre' dificilmente existem, todos sabem. podíamos nos decepcionar, acabar não nos adaptando, conhecendo outras pessoas, mas não. simplesmente mantivemos a platonicidade e hoje a conservo em mim em um dos lugares mais alto em meus sentimentos. enormes casas cheias de cores e perfumes seriam oferendas de sentimentos que mandaria para sua casa. mas não me leve a mal, não interprete-me mal. tenho um coração e ele congelou na hora em que sabia que podiamos estar juntos, e há tempo de minha consciência perceber o meu lugar. a realidade - ou falta dela - dá asas a imaginação, e a nossa historia eu invento o final, porque sentimento existe de sobra.

domingo, 8 de maio de 2011

Extinção

nasceu a ultima esperança da humanidade. sob a terra viviam pessoas frias e calculistas, pessoas egoístas e extremamente capitalistas. o mundo havia se tornado um lugar onde o dinheiro comprava qualquer coisa, e a unica coisa que não se poderia comprar, eles simplesmente esqueceram. deixaram de lado o amor. filmes românticos nem eram produzidos mais. nas comédias românticas, ninguém mais via graça, ninguém mais na face da terra sonhava e suspirava com a sua cara metade. relações frias movidas a interesses foi tudo o que restou para a humanidade.

quando pequeno, descobriu uma coleção de filmes clássicos que sua mãe escondia numa caixa no fundo do guarda-roupa. filmes com diálogos de tirar o fôlego, com historias de duas pessoas que se conheciam de formas improváveis e se apaixonavam, de historias onde o universo parecia conspirar por um fim feliz, onde depois do 'the end' nada mais importasse. se foi ironia do destino, não se sabe, mas ele nasceu e cresceu encantado com o que poderia sentir por alguém, por vários alguéns, por procurar a pessoa certa.

teve várias namoradas. várias decepções. vários momentos inesquecíveis. vários acontecimentos lamentáveis. sorriu e chorou muito, tudo em seu devido tempo. apaixonou-se, namorou, sofreu, esqueceu. como um ciclo que o fazia pensar se tudo aquilo estava indo certo, como ele planejara na infância ao idealizar o 'estar apaixonado'. mas ainda não tinha tomado aquela rasteira que se toma de jeito, não havia sentido seu coração palpitar loucuras onde as pessoas viam frieza. não havia sentido, de fato, o amor - ainda.

chuva. frio. chopp. amigos risadas. cantadas. tudo nos eixos, até adentrar em seu campo de visão o que o faria mudar completamente. indescritivelmente linda e articulada, ela se equilibrava em uma das pernas enquanto conversava qualquer coisa com qualquer outra pessoa. nada mais importava além do seu novo - e inédito - foco. ele sabia o que dizer. havia ensaiado por anos, esperou tanto por aquele momento e sentiu que havia chegado sua hora. a hora de mudar o mundo. sabia que se não tomasse a iniciativa, nunca se perdoaria. e foi.

triste da humanidade. ela teve todo o destino em suas mãos. não sentiu a profundidade em seu olhar e o desejo que lhe fazia suar as mãos e balançar as pernas em ansiedade. não entrou em sintonia. o destino parecia conspirar para uma reviravolta em toda a situação, a favor da propagação daquele calor apaixonante. hoje em dia ele continua sabendo como agir e o que falar, mas não se sabe o que aconteceu com todo aquele brilho no olhar. ele veio para transformar o mundo, e acabou apagando-se nele. o amor estava extinto.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

À toa

a cadeira balança. e no balanço da cadeira eu fico balançado, tentado a te ligar, pensando em onde você está. lembrando do dia em que te fiz tremer as pernas e baguncei as suas ideias. sinestesiadamente desesperada sem saber o que sentir e o que pensar, preferiu não arriscar-se, muito menos atirar-se em algo tão desconhecido e escuro. acomodou-se. era melhor assim, pra que apaixonar-se, ou admitir tal sentimento e correr o perigo de reabrir feridas já cicatrizadas.

sinto falta do seu cheiro, do seu beijo, do seus anseios, do meu choro amparado em seu ombro e das noites de sono em seu colo. sinto falta da proteção em seus braços, sinto falta das palavras doces no meu ouvido, sinto falta do calor em meu peito, sinto falta de seu sorriso, sua tpm. sinto falta de seu jeito de ajeitar o cabelo, do seu malabarismo ao dizer que tudo vai ficar bem. sinto falta da covardia que era o seu olhar que me hipnotizava ao imaginar que os sonhos que tive, realizaram-se quando consegui te beijar pela primeira vez, te fazendo perder o fôlego. não é a toa que te quis tanto.

hoje sinto-me culpado. te fiz se apaixonar, te fiz me desejar, te fiz querer estar perto de mim e acabei despertando o medo em você de ser feliz. fiz acordar em você o seu melhor e você fez correr de nós um futuro. a culpa é minha por criar a possibilidade de fazer cada respirar valer a pena. culpada é você por não ter acontecido, por ter fugido.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Pseudo incoerência

se palavras nunca fossem omitidas, as subentendidas não levariam a fama de não-confiáveis. as vezes, tentar esquecer e tentar não lembrar surtem efeitos contrários aos desejados inicialmente. duas pessoas e uma conversa. como se entenderem? cada um tem o seu jeito, cada um tem a sua convicção; fora o comodismo, o orgulho, a raiva, a impaciência contribuindo para o desentedimento. as coisas acontecem por terem que acontecer, por ser melhor elas terem acontecido, e o contrário também é válido, não se esqueça: coisas não acontecem por simplesmente ter sido melhor elas não terem acontecidos. saiba a hora de conformar-se, mas saiba diferenciar conformismo e comodismo.