quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Enquanto

Ela ja acordou esperançosa. Mal abriu os olhos e a primeira coisa que procurou avistar, foi o celular. Noite anterior, ela saiu com as amigas, as quais ela nao via há um tempo.

Era sexta, dia de música ao vivo, tributo a Jorge Ben. Ela escolheu minuciosamente um vestido de renda, queria simplesmente passar despercebida. E nao conseguiu. Ele veio deslizando por entre todas aquelas pessoas do bar, a tomou pelo pulso e conquistou sua atenção. Olhou profundo e disse com toda a sinceridade do mundo:
- Sairei se voce quiser, mas não tem nada no mundo que voce não queira que nao vá encontrar comigo.

Desprenderam-se varias risadas por parte dela, e do outro lado apenas um sorriso seguro. Ela aceitou conversar depois da terceira ou quarta vez em que ele voltou. Trocaram risadas, abraços, telefone e ate uns abraços foram arriscados.

- Só quero um beijo, te guardar em um toque.
- Guarde seu entusiasmo, e deixe acontecer.
- A vida é muito corrida, tudo passa muito rápido, momentos assim nao se repetem facilmente - retrucou ele.
- Entao se tiver que acontecer, acontecerá. - ela entao pegou o celular dele, tirou uma foto e salvou como papel de parede alegando que seria o que ele levaria dela naquela noite.

Conversaram mais e ele prometeu que ainda a faria se apaixonar como ele s apaixonou quando a viu pela primeira vez.

Mas o telefone não tocou no dia seguinte, nem na semana seguinte, nem em meses. Ela não sabia seu sobrenome, e em são paulo dificilmente tivessem amigos em comum.

A noticia tardou, mas não deixou de chegar. Seu sobrenome e todas outras informações em uma rede social, mais mensagens de luto. Ele falecera em um acidente de carro no dia em que se conheceram.

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