segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

quase amor

lembra daquele porta-retrato dourado, que hoje já não porta mais nenhuma foto? eu te dei de presente porque você se apaixonou por aquela moldura dourada e todos aqueles detalhes que te lembravam o nascer do sol na fazenda do seu pai. toda aquela nostalgia, toda aquela magia que nos envolvia, todo aquele brilho... eu não sei onde começou a dar errado.

vejo as suas fotos recentes, percebi que você ainda usa o penteado que eu adorava, usa o vestido que te dei no natal que passamos com sua mãe e percebi também que você tem cuidado muito bem do cão que compramos juntos. mas não fui eu quem tirou essas fotos, nem sou mais o motivo dessa irradiação que o seu sorriso continua sendo.

lembro de cada detalhe das tardes que ganhávamos do tempo, multiplicando risadas e caras emburradas. brigávamos tanto, e fazíamos as pazes mais vezes ainda. você com os dedos inquietos sempre com o celular na mão, ou falando sem parar sobre o próximo show que haveria na cidade. lembro de tantas coisas pequenas, lembro de tantos sentimentos enormes. não sei se foi amor, mas era tão cômodo e satisfatório. era seguro e solto ao mesmo tempo.

intensidade e liberdade. tudo que você sempre quis e encontrou em mim. não sei o quanto faltou para o amor, não sei quanto faltou para o felizes para sempre. e eu achando que pegar ônibus até sua casa era uma enorme prova do quanto queria estar contigo, ou sair noite a fora atrás do maluco do nosso cachorro que fugiu enquanto você ouvia sua mãe reclamar da bagunça do seu quarto.

não sei onde a gente se perdeu, porque eu me perdi no meio de toda essa confusão. parece que foi ontem que você esteve aqui nos meus braços.

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