quarta-feira, 6 de abril de 2011

Dispensavelmente nostálgico

preferi pegar aquele ônibus. claro que tinha um motivo, se eu pegasse a outra linha chegaria muito mais rápido a minha casa, mas quis passar pelo bairro em que vivi um dos melhores momentos da minha adolescência. quando o ônibus parou no ponto exato, desejei ver da janela, nós dois subindo, conversando e rindo das coisas que fizemos nas férias, ou das besteiras que falávamos sem parar.

quem visse de longe, sintonizava aquilo que parecia uma conversa entre dois irmãos, e não podíamos ser menos que isso. você foi pra mim mais que um irmão, um pai. éramos inseparáveis, indestrutíveis, até então. fizemos planos para nossas carreiras, você até me prometeu: "a gente vai fazer sucesso juntos! vamos levar a nossa música por aí até muita gente pagar pau!"

a vida seguia e nós corríamos contra o tempo, parecendo adivinhar tudo o que vinha pela frente. curtíamos como se não houvesse um amanhã, e melhor seria se ele não viesse mesmo. não sei onde você está agora, nem quais são as suas convicções de hoje. talvez nem te reconheça mais, talvez nem te chame mais de um irmão. o que se passa na minha cabeça, são lembranças de promessas e de esperanças, que hoje, estão manchadas de suor e lágrimas. onde você está?

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