sexta-feira, 24 de maio de 2013

Netuno

Deixar que o oceano seja
segunda pele
que o mar, que anseia
pela minha prece,
me carregue por quilômetros
décadas e anos
me guarde no estômago
de alguma baleia gigante
me conserve o mesmo
e me entenda o apelo
de que não posso
não consigo.
Netuno, se eu vê-lo
me acompanhe ao fundo
do mais perigoso recife
me mantenha astuto
dormindo estou em declive
Eu não consigo viver mais
nem sobreviver assim
me tiraram a parte que cabia
o universo e mais cabia em mim
me cabiam as estrelas
mesmo aquela vistosa
que já desaparecera
em mim cabia algo maior que o tempo
foi uma linda princesa quem me deu
de um reino tão distante
assim como o seu
a mesma me prometeu
que nunca me esqueceria
e disse: meu coração é seu!
Então me diga, oh grandioso
detentor do tridente
se esse trágico ocorrido
te deixa também ansioso
ou apenas sorridente
por estar solitário e esquecido
aqui nesse reino proibido?
Não ria da minha desgraça
não estou fazendo alarde
sinto que ela me esqueceu
me falta alguma parte
Céu, mar, estrela-maior
quantas ondas precisarei pegar
para esquecer que dói
para entorpecer os olhos
para enfim sossegar
nem que me destinasse a morte
e enfim sossegasse a sorte
estaria enfim satisfeito
então se quiser assim fazê-lo
saiba que não estarás ajudando
muito menos atrapalhando
por capricho ou pirraça
só quero que você arranje
uma passagem sem volta
partindo daquela praça
e talvez eu cante
o som que você gosta
imitando pássaros
sobrevoando horizontes
mas me ajude logo
preciso vê-la
se isso é saudade, que assim seja
conheci os anéis de urano
vi o sol nascer em marte
preciso dizer que a amo
antes que essa dúvida me mate
Será que ela me esqueceu?
Se sim, não posso imaginar
o que será que aconteceu
eu preciso parar, pensar, agir, voltar lá.
Sem ela eu não vivo
Oceano, que castigo.

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