terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Quimera

respirava ofegante e transpirava sem parar. parecia até que eu estava fazendo algum exercício físico; o meu coração estava disparado e minhas pernas doíam muito. estava dormindo quando de repente tive um pesadelo. estava tentando convencer a um grupo de pessoas sobre algo e todos estavam prestando bastante atenção em mim. vieram me dizer o quanto eu era bom no que fazia, e eu já estava começando a me sentir bem em meio a tantos elogios.
sem mais nem menos, o cenário havia mudado. agora eu estava sentado e ao redor estavam aquelas mesmas pessoas que me inflavam o ego, mas agora eles riam de mim. gargalhavam e apontavam em minha direção. dava para ouvir algumas vozes que diziam por trás das risadas: "ele acha mesmo que sabe fazer alguma coisa" e "tudo que ele faz é uma grande besteira atrás da outra". aí eu me levantei, esbarrei em alguns rostos desconfigurados e comecei a correr sem parar, quanto mais eu me afastava, mas as vozes aumentavam em meus ouvidos. e aí, acordei.
tentei chorar mas não consegui. tentei gritar de raiva, mas não conseguia superar em nada o sentimento de frustração que tinha trazido comigo do sonho assim que acordei. o quarto ainda estava escuro. era uma noite de inverno e naquele ano as estações estavam muito intensas.
me levantei e fui até a cozinha. sentei um pouco enquanto tomava um copo de água. tentei reproduzir na minha cabeça a voz de algumas pessoas as quais eu conservava sentimentos bons e recíprocos, mas estava tão atordoado e não conseguia pensar em nada além do pesadelo. tive medo de tentar dormir novamente. tive medo de que amanhecesse e, que a luz da manhã que entrasse pela janela, revelasse um cara inseguro e incapaz. o clima de melancolia tomou conta do meu quarto inteiro, e depois da sala, os sofás e a minha poltrona favorita eram pura tristeza. ao contrário do meu pesadelo, elas choravam só de me ver passar. tudo na minha casa era choro, e o pior, não era um sonho.

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