quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Precipitações

ela acordou cedo. tinha chegado tarde em casa após uma noite de festa com as amigas, e mesmo assim, já estava de pé ao despertar do dia. ela gostava de tomar um café na varanda vendo as pessoas que passavam cedo para trabalhar. ela adorava os dias de chuva, e ao invés de dormir mais, levantava mais cedo. aproveitava cada gota que precipitava-se do céu e tranquilizava a sua alma.

fazia a mesma coisa todos os dias. levantava, preparava o café e ia para a varanda. e lá, vários pensamentos rolavam, era só ela e eles ali. gostava de pensar e repensar sobre tudo, e ultimamente, o que mais lhe atormentara, eram pensamentos sobre ele. sobre como a história dos dois foi tão curta e como ela tinha posto um fim de forma insensata por causa de um julgamento errado.

eles já se conheciam de vista há algum tempo, desde que no meio do ano passado ele aparecera pela vizinhança passeando pela pracinha com o labrador. era a rotina que faziam os dois se cruzarem. ele e o labrador e ela sempre de passagem; escola, amigos, padaria. trocavam olhares, mas nada além disso. até o ano em que ele se mudou para a escola dela. recém-transferido da califórnia, onde o seu pai trabalhava antes de ser transferido de volta para aracaju.

café, chuva, uma folha e vários rascunhos. ela não era uma menina tímida, era segura e determinada. vinha de uma família classe média baixa e se esforçava muito nos estudos. sonhava em ser psicologa, profissão que sua mãe lhe apontara desde que começaram a discutir na fase da adolescência. era muito observadora e conseguia sentir e diferenciar profundidade nos sentimentos, ela era muito sentimental.

início do ano letivo e lá vem a professora no primeiro horário do primeiro dia de aula. no meio da primeira aula veio ele, entrou de mansinho pela porta e quando estava chegando perto de uma cadeira vazia foi descoberto. ninguém havia prestado atenção naquela presença estranha, até a professora de biologia gritar com aquela voz irritante. ele parou de costas e todos olharam para ele. demorou um pouco para ser reconhecido, já que só havia sido visto com o cachorro do lado. mas, sem dúvidas, era ele.

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