quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

eu tentei dormir. juro. não foi por enrolação ou manha que fiquei bolando de um lado pro outro brincando com o sono. enquanto ele ia e vinha, eu ia perdendo a paciência e meu cérebro, ao invés de relaxar e descansar, não parava de pensar em várias e várias coisas.

fechei os olhos e tentei manipular meus pensamentos. me concentrei até tentar achar algo que sintonizasse com os meus sonhos. de repente lá estava eu. parado em frente àquela rua que não existia. no final da rua tinha uma casa que também não existia. era noite e chovia, tanto fora do meu quarto, quanto no meu pensamento. o balanço que havia em frente a casa estava parado e não havia ninguém nele, nem em algum outro cômodo da casa. o portão grande e pesado, que servia de entrada, estava aberto, passando por ele havia um jardim onde estavam várias caixas. foi aí que me dei conta da placa de vende-se que parecia ter sido colocada ali há um bom tempo.

caixas pequenas guardavam coisas pequenas. caixas grandes guardavam coisas grandes. mas o que me chamou atenção mesmo não foram nem as grandes nem as pequenas, mas sim as caixas de porte médio que estavam separadas. nessa hora meu espasmo de sono já era profundo e fui cada vez mais fundo no sonho. eu não precisei abrí-las para saber o que tinha dentro, fui eu mesmo quem as organizei. fui eu quem havia deixado o portão aberto e que tinha colocado aquela placa de vende-se. as caixas medianas estavam cheias de sentimentos e lembranças minhas daquele lugar, coisas que eu tinha visto e vivido ali. na casa não tinha recordações porque eu as guardei em caixas. na casa não tinha ninguém porque eu havia matado todos.

no fundo aquela rua existia e aquela casa era reflexo de algum lugar real que eu fiz questão de esquecer. vivi um bom tempo ali e aquilo estava no fundo das minhas lembranças. mas foi melhor esquecer. tive que voltar lá pra lembrar do que eu tinha tanto que esquecer e que, como um sinal de alerta, minha própria mente fez o papel de me chamar a atenção em relação ao que eu deveria descartar, pois o futuro é muito promissor na casa onde estou agora, e nas lembranças em que vivo o passado é o passado que naquela casa ficou. não vou me ancorar, vou deixar que o vento leve a embarcação nessa morada sem muros onde estou.

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