sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

ao mar o que é do mar

ele era mais um moleque que nasceu e cresceu na praia e foi criado no mar. naquela região eram vários. os mais antigos tiveram filhos, que tiveram filhos, que tiveram outros filhos. gerações e gerações de ratos de praia. a lei naquela cidade feita de areia e ondas era o respeito e o espírito do aloha. no mar, pegando onda, curtindo no luau a noite ou em qualquer lugar, eram todos bons de alma. a cidade era banhada pelo oceano e protegida pelos encantos que existiam. uns chamavam de natureza, outros chamavam de misticismo.

o moleque era simples e como todos, adorava quando o sol raiava flamejante e não dava vento nenhum. as ondas quebravam numa direita secular infinita e ele dropava em todas. mas naquele dia foi diferente. o mar tava agitado pós-arrebentação, já tinha acontecido outras vezes, até com frequência, mas ele não temia nada, respeitava o mar, mas não foi o necessário. se divertia tanto fazendo o que mais gostava que não percebeu o quanto a maré estava forte e estava o levando cada vez mais para dentro. o que chamavam de natureza era a força que regia todas as gotas de água do mar. de repente. subitamente. um susto. um puxão e o empuxo da água. a prancha foi parar longe e ele foi fundo. iemanjá segurou em sua cintura e tomou mais um nativo para si. era o preço que tinha que ser pago por tamanha perfeição em ricas medidas.

nunca adiantava lutar. quando tinha de acontecer, simplesmente acontecia. ela era uma mãe muito protetora, e entendia que aquilo era para o bem de todos. quase que um sacrifício. e não adianta sacrificar algo que não faria falta ou não valeria a pena. o mar sabe ser bonito, mas também sabe ser traiçoeiro.

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