sábado, 10 de setembro de 2011

infinita tristeza

enorme sorte geográfica
logo ali, do outro lado do muro
eu criei meu refugio
no passado,
que bem guardado
não foi esquecido,
muito menos apagado
como um retrato
muito bem emoldurado
seus cabelos grisalhos
as lembranças guardei
e nas lembranças me abraço
me apego - e te digo sincero
infância saudosa
de uma quase visita inquilina
passei a ser
na casa pasqualina

chocolates na epoca
sorriso no rosto
um beijo dengoso
de quem sabia agradar
falava no tom certo
não precisava me esforçar
eu ficava encantado
parado, atento, ouvinte
e todo dia seguinte
eu de novo estava lá.
deixava a minha propria tv
abandonada na minha propria sala
pra atravessar o muro
e ligar a de lá

lembro das fotos antigas
dos móveis pesados
do aconchego do quarto
e hoje não consigo imaginar
o vazio que ronda o grande corredor
não consigo entender
como pôde acontecer
com alguém igual a você

onde estiver, o menino que fui e o homem que hoje sou
estarei com você que foi o meu primeiro amor!


à maior parte da minha infância.
descanse em paz.

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