terça-feira, 13 de agosto de 2013

Hipnose

Ele a olhou como se estivesse engasgado, tentando, sem sucesso, pronunciar uma sílaba sequer. Ela entendeu sua agonia, compartilhou de sua angústia. Viu em seus olhos perdidos, o desejo de se encontrar, e teve vontade de acolhê-lo em um abraço, como se protegesse a uma criança. Balbuciaram-se palavras como uma conjuração de um feitiço antigo, mas nada foi ouvido. Ele teve vontade de desviar o olhar e sair de fininho, como se não pudesse viver com todo aquele desentendimento. As pernas dele tremaram quando as dela se moveram em sua direção. Tão forte quanto estricnina, sua presença provocou-lhe arrepios. Por todo o corpo e alma só ecoavam o choro de uma criança que acabara de nascer. Ela viu em seus olhos e ele soube.

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